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Era apenas um General que estava farto de guerra


Quantos anos teriam passado, ou quantos séculos, quanto tempo havia decorrido desde que vendera a alma ás trevas e se dedicara à mais sombria das tarefas que era comandar a ceifa de vidas? Pouco tempo quando o analisamos sobre o prisma da história que ajudava a construir a cada nova batalha, mas imenso se visto pela duração das vidas que colhia para as entregar nos braços da entidade divina na qual os mortos acreditavam sistematicamente através das suas tácticas ou arma, sim arma porque ao contrário dos seus colegas de patente que quando chegavam a General abandonavam a frente, ele não, ele continuava a partilhar o terreno com as mesas dos mapas onde os seus sinistros talentos delineavam o movimento de morte de milhares de homens. Agora, por acaso estava numa rara pausa de combates, pois apesar de todo o aparato bélico do seu exército o inimigo obrigava a um reagrupara e a repensar as estratégias. Estava acompanhado naquela sala de mapas, mas era como se estivesse só, pois imerso nos seus pensamentos e na ciência bélica que abraçara, só via o mapa principal onde a sua progressão estacara, mas estava radiante, pois encontrava-se perante um desafio. Sim, iria flanquear o inimigo, e ao mesmo tempo rega-lo com uma quantidade de fogo indescritível, com novas e poderosas armas postas precisamente postas nas últimas horas á sua disposição. Apesar do aviso timorato de alguns políticos para poupar o máximo de vidas civis, ele mandou isso tudo à merda e preparou-se para o dilúvio final, pois estava febril de sangue de vitórias. Apesar de ser conhecido por poupar ao máximo os seus homens, tinha chegado a um ponto em que já nada o incomodava, em que já nada sentia a não ser uma necessidade que os homens da mente diriam ser doentia pela vitória, e por esta tudo sacrifaria. Estava no “topo da cadeia alimentar”, era o derradeiro elemento, o último e mais poderoso elo. Acima dele sentia que só Deus e por isso estava a preparar a sua mais sangrenta batalha. E no entanto...num dos raros momentos de reflexão intimista, num raro momento de fraqueza para si, pensou na sua família, na família dos seus e dos outros homens, pensou e sentiu-se humano, sentiu-se apenas mais um homem entre os milhares representados friamente por bandeirinhas no mapa à sua frente. Tentou que este pensamento fosse o predominante para evitar o caos que se adivinhava, mas já nada adiantava, o destino de todos estava já traçado pelo cruel deus da guerra no qual não acreditava, mas ao qual obedecia sem hesitar por hábito, por rotina, por já não conhecer outros hábitos e rotinas.
Era apenas um General que estava farto de guerra

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Miguel Patrício Gomes
Enviado por Miguel Patrício Gomes em 01/05/2006
Código do texto: T148429
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Miguel Patrício Gomes
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