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[HUMOR] Quando um Gato Morre

Passa da meia noite e estou sentado na minha poltrona, coçando a cabeça na frente da tela do meu computador e pensando numa solução para esse problema... que merda, o que eu faço? E a janela do programa messenger não pára de piscar. Tem um amigo, chamado Maurício, usando o nick “Shinrey Surobi, O Archipater”, querendo falar alguma coisa.

Travamos, então, o seguinte diálogo via msn:

.............

Shinrey Surobi O Archipater diz:
opa... o que conta de novo?

/// Denis /// Kzar diz:
Cara, to passando uma situação trágica aqui... meu gato morreu (ele tem uns 18 anos – melhor dizendo, “tinha”).
Eu não tenho enxada pra enterrar o bichano... não tenho saco pra ‘ensacolar’, to sem carro para despachar o bicho...
E o presuntão tá aqui na calçada...

Shinrey Surobi O Archipater diz:
ahauahauhauahauha...
mal...
mas a situação é hilária...

/// Denis /// Kzar diz:
ri desgraçado...

Shinrey Surobi O Archipater diz:
Você não tem uma sacola de mercado? Ou um saco de lixo?

/// Denis /// Kzar diz:
É um gato persa... um massa dum gato. Não tem saco que agüenta ele.
Separei um saco de carvão pra socar o desgraçado.

Shinrey Surobi O Archipater diz:
orra... um saco de carvão?

/// Denis /// Kzar diz:
O duro é q tem uns cachorros aqui na rua que reviram o lixo... vou colocar pimenta no saco pra eles não mexerem.
E pra piorar tudo minha esposa tá aqui xingando (pra variar), perguntando o que eu vou fazer com o gato...

Shinrey Surobi O Archipater diz:
ahuhauahauahauh
normal
esposa serve pra isso... hahhahaaha

/// Denis /// Kzar diz:
E vc ainda ri, desgraçado... já pedi pra ela caçar uma sacola e parar de me encher.

Shinrey Surobi O Archipater diz:
Po, bota o gato no lixo

/// Denis /// Kzar diz:
e os lixeiros??? ahahaha
cara, falando sério, eu queria enterrar o bichano.

Shinrey Surobi O Archipater diz:
putz. Usa as mãos... uma colher... sei lá.

/// Denis /// Kzar diz:
hahaha... é meia noite agora.
Os vizinhos vão achar que to enterrando os pedaços da esposa

Shinrey Surobi O Archipater diz:
huahuahauahauha
O que pode acontecer já que ela tá reclamando mesmo... hahaha

/// Denis /// Kzar diz:
que merda

Shinrey Surobi O Archipater diz:
olha eu não dou a mínima pra horários, eu simplesmente enterraria e pronto

/// Denis /// Kzar diz:
O problema é a enxada... eu vou cavar com que? O gato é um monstro de grande.

Shinrey Surobi O Archipater diz:
Olha, vou lá fazer um rango que to com fome.

/// Denis /// Kzar diz:
E o pior de tudo é vc rindo... pode ir ... me deixa aqui sem uma solução...

Shinrey Surobi O Archipater diz:
hauauahuahauah...

/// Denis /// Kzar diz:
pensa no meu gato morto quando vc tiver comendo...
ele parece o garfield, só que tá estirado e com a língua de fora...

Shinrey Surobi O Archipater diz:
olha pelo lado positivo
nao vai mais ter que passar por ele e pensar "será que é hoje que ele morre, tadinho?"

.................

O Maurício saiu do msn e me deixou sem um solução razoável. Depois da conversa, minha esposa já estava encostada na porta, me olhando com aquela cara de “o que você ainda tá fazendo aí?”

Levantei e soquei o bicho num saco de carvão...  segurei ele pelas pernas (que já estavam meio duras) e coloquei o bicho, com a língua de fora, para dentro do saco.

Difícil foi convencer a esposa que não ia dar nada em jogar o bichano no lixo.

Depois de dialogar bastante com minha mulher e vê-la torcer o nariz um punhado de vezes, fui jogar o bichano no lixo, dentro do tal saco de carvão, coberto com pimenta do reino – isso é para os cachorros não farejarem e revirarem. Tudo isso com minha esposa ainda buzinando em meu ouvido: "o saco vai furar", "os cachorros vão rasgar os saco", "os lixeiros vão ver e não vão pegar o saco"...

A única coisa é que tenho certeza é de que JÁ TO DE SACO CHEIO....

Apesar dos pesares, coloquei o saco de carvão e joguei um monte de pimenta em volta. Pronto, só voltar pra dentro e dormir socegado...

...x...x...x...
 
Hoje acordei cedo. Hora de ir para o trampo e tá o maior toró de água lá fora. Realmente chovendo muito.

Quando olho pela porta da frente de casa (uma porta grande de vidro), vejo um cachorro dentro do quintal - um pequeninho, que passa entre as grades - e um grande do lado de fora do portão...

Já fiquei alerta... dois cachorros rodeando o quintal, naquela chuva, teriam eles farejado meu gato?

Peguei um guarda chuva pra ir dar um “pedala” nos cachorros, e sai lá na frente.

CACETA, quando eu chego lá, o latão de lixo estava virado e o saco de carvão - com meu gato - arrastado até a frente da casa do vizinho enquanto a chuva caia em grandes gotas, encharcando meus pés.

Fui lá e o saco estava todo molhado, quase esfarelando. O rabo do gato morto apontava pra fora, pois os desgraçados dos cachorros tinham tentado rasgar o pacote...

Soquei o rabo do gato pra dentro e comecei a levar o saco de novo pro lixo – e a chuva insistia em cair.

Quando eu estava quase perto do latão de lixo, o saco rasgou o fundo e o “presuntão” do gato caiu na calçada... sem noção, xinguei muito... aliás, lembrei de uma série de palavrões que há muito eu não usava. Enquanto eu praguejava, os cachorros estavam no meio da rua, parados na chuva, me olhando – ai eu xinguei eles também e joguei meu chinelo nos desgraçados. Sim, eu tive que buscar o chinelo do outro lado da rua, mas pelo menos os cachorros saíram correndo.

Livre dos malditos olhares caninos, tentei colocar o gato no saco, mas, com uma mão segurando o guarda-chuva e outra tentando pegar o presunto encharcado não dava...

Que merda... coloquei o guarda-chuva de lado e comecei a tomar um ‘refrescante’ banho matutino – isso tudo aos olhares dos cachorros, que estavam lá na esquina e ao som de alguns palavrões que eu ainda pronunciava baixinho – se para mim mesmo ou para alguém eu não sei, mas descobri que xingar desestressa um pouco...

Catei o presunto encharcado do bichano e abri o saco. Na verdade rasguei o saco encharcado e estendi ele, colocando o presunto em cima. Enrolei carinhosamente meu bichano no saco quase derretendo. Tirei todos os pacotes de lixo do latão e joguei ele no fundo. Então joguei os sacos de lixo em cima.

Sai correndo na chuva, gritando com os cachorros fazendo gesto que ia tacar pedra neles... persegui os cachorros até a esquina de baixo... Fdps, carniceiros que não respeitam nem os mortos e nem os sentimentos dos outros...

Entrei em casa igual um pinto molhado e vi o adorável olhar de desaprovação da minha esposa e aquela cara de "eu te avisei"...

Agora é só esperar os lixeiros passarem e levarem meu bichano embora, para que ele possa descansar no céu dos gatinhos. Torço, piamente, para que meu gato seja levado, confortavelmente para descansar no harmonioso lixão da cidade... (nao acredito que algum bixo maldito venha comer os restos mortais do meu amado gato - prefiro pensar que ele será jogado em algum lugar onde tenha brotado belas flores ali no lixão. Esta á ultima imagem que quero ter do meu gato: seu cadáver putrefando em um campo florido. Nada de Urubus, corvos ou qualquer coisa do gênero)...

............

Obs.: este é um conto fictício, mas baseado em um fato real... Meu gato (na verdade gato das minhas irmãs), um persa chamado Pop, morreu com 18 anos de idade eu não tinha enxada para enterrá-lo – era por volta da meia noite quando encontrei o bichano – mas busquei a ferramenta adequada na casa do meu sogro e enterrei no jardim de casa...

Tô fazendo essa observação pq se minhas irmãs imaginarem que joguei o gatinho delas no lixo eu to ferrado... rs...
Kzar
Enviado por Kzar em 23/05/2006
Reeditado em 10/08/2009
Código do texto: T161287

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Sobre o autor
Kzar
Mundo Novo - Mato Grosso do Sul - Brasil, 39 anos
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