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CAMINHOS E ESCOLHAS



Não lembro ao certo quando o vi pela primeira vez. Acredito que tenha sido numa manhã de inverno, pois trazia comigo um cachecol branco e, com ele protegia meus lábios do frio. Não fosse esse detalhe, não saberia dizer quando foi que tudo começou.
De início nem percebi as coisas, que fariam tanta diferença em minha vida. Acho que preciso voltar no tempo e reviver essa história para poder te contar como foi. - Você vem comigo?
Eu havia acabado de completar quinze anos. Estava estudando no Colégio Carneiro Martins e pretendia ir para a Universidade Estadual de Ponta Grossa, fazer faculdade de Psicologia. Isso era um embate para minha família. Minha mãe estava separada de meu pai havia sete anos. - Onde já se viu isso, menina? Sair de casa sozinha para estudar? De jeito nenhum. Era o que eu mais ouvia. Porém, estava decidida a ir. Mas parece que o destino também conspirava com os cuidados que minha família mostrava comigo. Não deixei de sonhar, apenas troquei alguns caminhos e, por esses mesmos caminhos, também os personagens foram sendo "trocados", ou, melhor dizendo foram sendo incorporados em minha vida. Assim igualmente, outros, foram arrancados de meu convívio.
Como toda jovem gostava de festas (as "festinhas" dos anos 1970) e saraus, e como era de costume, todos os finais de semana havia uma festa na casa de amigos ou colegas da escola. Muito diferente de hoje, as reuniões aconteciam nas casas. Não havia nessa época em Guarapuava, 1978, lugares públicos, como danceterias, discotecas ou barzinhos, onde os jovens pudessem dançar, namorar, trocar idéias, etc...
            Lembro-me que na esquina de minha casa, morava uma família de norte-¬americanos negros, que sempre promoviam festas. Gostavam de cantar e dançar. O pai tocava sax e era muito alegre. Ainda hoje quando ouço Kenny G., a lembrança primeira que me vem é do olhar profundo de Mister Kredeys. Adorava estar com eles. A filha mais nova, Julie era minha melhor amiga na época. Saíamos sempre juntas e, ela me falava de como era a vida dos pais nos Estados Unidos, em Austin.
             Confidenciávamos segredos e paixões de adolescentes, cheias de vida. Julie queria ser pianista, mas nenhuma escola havia para ela estudar em nossa cidade e, onde havia não a aceitavam por ser negra. Também não tinham em casa um piano. Foi para uma dessas reuniões dançantes que ambos fomos convidados. Ju1ie estudava com ele, e fomos juntas em sua casa convidá-Io. Fazia muito trio e andávamos rápido, escondendo o rosto do vento gelado. - Hoje à noite, na tua casa? Mas o que é? É aniversário de alguém? Perguntou o rapaz e Julie respondeu que era aniversário de casamento de seus pais e, como a família não morava no Brasil, iriam fazer uma comemoração com os amigos conquistados em Guarapuava. Por um instante ele pensou, passou a mão pelo rosto. Olhou para o céu fechado: - Se estiver muito frio não irei, até parece que vai nevar. Julie interrompeu-o: - Ora Pedro, deixe de ser frioorento e vá lá. Vai estar bem divertido. Meu pai até preparou um repertório só para esta noite e, minha mãe já preparou muita comida. -Vamos, Pedro, estaremos esperando por você, ok? Ele olhou dentro dos meus olhos, de um jeito que nunca esqueci, e disse: - Vou ver, tá bom? Voltamos rindo do jeito de Pedro, de sua timidez, como se nós fôssemos diferentes dele. Essa foi a primeira vez que o vi. Durante a tarde, Julie, seu irmão Aron e eu ajudamos dona Meg a compor os pratos de doces e salgados na mesa que o pai de Julie, “seu" David, o Mr. Kredeys, havia montado na sala de jantar. Estávamos tão contentes com a festa que nem nos dávamos conta do frio. Havia aquecedores na sala e no corredor que levava para os dormitórios, além dos fomos aquecidos para o preparo da comida, o que favorecia nos libertarmos das japonas pesadas. Minha mãe estava encarregada de fazer o bolo maior e, vez por outra pedia nossa ajuda. Também outras pessoas estavam ajudando. Quase todos da vizinhança. A irmã mais velha de Julie, El1en, tinha vinte e três anos, era casada com Henrique, e sua filha chamada Helena, completava dois anos no mesmo dia das bodas de prata dos avós. Por isso haveria, também, durante a festa a comemoração de seu aniversário. Foi tudo muito bem preparado.

        Por volta das sete horas chegou o primeiro convidado, trazendo um pacote de presente. O casal os recebeu, e logo em seguida serviram-lhe “drinks". Ainda lembro bem do sotaque de Mr. Kedreys ao pronunciar seus agradecimentos. Assim, logo foram chegando outros e mais outros. E, não sei por que eu procurava entre as pessoas, o rosto de Pedro. Os olhos esverdeados, brilhantes, curiosos. Tinha entre dezoito e dezenove anos, não lembro bem. Era moreno, um pouco magro e alto. Não tinha uma beleza notada à primeira vista, mas era bonito. Julie percebeu que eu o procurava com os olhos. - Fique calma, minha cara, "ele" já vai chegar, vai sim. Eu não sabia ao certo o que dizer: - O que é que você está falando Julie? Eu não estou esperando ninguém. E dando-lhe as costas:  -Vou ajudar em alguma coisa. Saí e Julie riu de minha timidez. Aron veio até mim e disse-me baixinho: - Quando começar a música de papai, quero dançar com você! Olhei rindo para aquele rapaz simpático e alegre, parado em minha frente me fitando como se tivesse visto um fantasma: - Como? Acho que não ouvi direito o que você disse, Aron. - Disse que quero dançar com você logo mais. Repetiu. - Ah, tá bom, depois... E saí da cozinha, para o terraço. De lá podia ver as pessoas chegando e subindo as escadas, até a sala. Tiravam seus pesados casacos e penduravam no closet improvisado, à entrada e logo em seguida apanhavam copos de whisky, vinho, conhaque ou cheny-brandy.
Meu coração disparou, forte, quando avistei Pedro abrindo o portão de ferro. Ele não podia me ver, mas eu o seguia com o olhos, subindo as escadas, ajeitando-se dentro do sobretudo preto, passando a mão nos cabelos engomados e entrando na casa. Dona Meg pediu-lhe o sobretudo e pendurou-o ao lado dos demais agasalhos. Através da porta de vidro pude ver quando entregou uma pequena caixa aos pais de Julie. Com as mãos no bolso da jaqueta de veludo marrom, foi lentamente ao encontro de Aron que estava no outro lado da mesa arrumando alguma coisa. - Que bom que você veio Pedro. Julie me disse que você tinha muito frio, mas aqui está "fervendo". A noite promete muito. Pegue uma bebida e divirta-se por ai. Se quiser, na sala ao lado está tocando boa música, e a "patota" está animada. Já vou para lá, assim que terminar isso aqui. Pedro cumprimentou outras pessoas e foi para a sala de dança. Julie que dançava com alguns jovens, recebeu-o alegremente.
Lá fora fazia muito frio, mas eu não tinha coragem de entrar. Parecia que todos iriam saber que eu pensava nele. Nunca havia namorado. E aquela paixão nascia em mim sem aviso. Era como se o mundo todo tivesse outra cor, outro brilho. - E agora? Entro para vê-lo? Pensava, tremendo de frio. Ou era emoção? E, se ele não me notar? Que faço?          Fiquei no terraço, até que uma garoa fininha começou a cair. Entrei na cozinha e dirigi-me para a sala. Disfarçadamente fui para o sofá, onde minha mãe e minha irmã estavam sentadas. Minha mãe tocou-me e disse: - Menina você está gelada. Por acaso estava no sereno? Vá dançar com as meninas, para poder se aquecer, vá! A esse "estímulo", fui timidamente para a sala de dança. Parei ainda por um instante na porta de vidros lilás, antes de abri-la. Naquele momento tocava na "radiola", Yesferday Once More, na voz de The Carpenters.  Pedro estava sentado em uma poltrona perto da janela. Quando entrei, ele levantou-se e veio para perto da porta, em minha direção. Afastei-me para dar-lhe passagem. Pedro, porém, não se levantara para sair, mas sim para convidar-me a dançar aquela música suave. Segurou minhas mãos e disse: - Dança comigo? Sem poder pensar muito respondi: - Sim, danço... Enquanto dançávamos, parecia que o mundo parava e só nós dois estávamos ali. Não dissemos uma palavra sequer. Não precisava, ou, não sabíamos o que dizer. Tínhamos nos visto apenas naquela manhã, mas parecia que de há muito tempo estávamos esperando por aquela dança, aquela música. Tão mágica era aquela hora, que não percebemos que já tocava uma outra música: Always on my mind com Elvis Presley. Essas canções marcaram muito e, que ainda hoje quando as ouço, me vem à lembrança aquela noite nas bodas de prata dos pais de Julie, e do olhar meigo de Pedro.
         Fomos interrompidos por Aron, na porta: - Venham todos para cá! Vamos assistir à benção do Padre José aos noivos. E olhando para Pedro e eu, disse num murmúrio: - Se quiserem aproveitar e pedir uma benção, "pombinhos"... Senti nesse instante a ironia com que Aron nos tratou, mas por um momento, senti-me como parte de Pedro. Seguimos para a sala e, até a porta, Pedro segurou minha mão. Nos colocamos em tomo do pequeno oratório que havia sido montado para a cerimônia, e ficamos assistindo sem dizer palavra sequer. Estávamos próximos e de vez em quando podia sentir sua mão tocando a minha. Evitava olhar em seus olhos temendo, não sei bem o que. Era a primeira vez que estava "namorando". Minha mãe, atenta com a cerimônia, não prestava atenção em mim, podia sair daquela sala e ir embora.
    Queria ficar, queria ir. Alguma coisa me angustiava. Alguma coisa estava diferente em mim. Que coisa estranha o que estava acontecendo comigo. E, se alguém me repreendesse na frente de Pedro? O som do sax do senhor David, em uma homenagem à dona Meg, a quem ele carinhosamente chamava "my darling", tirou-¬me desses pensamentos. Por fim o Padre José deu a benção ao casal, aos filhos, à Helena e a todos os convidados. Houve até quem chorasse de emoção. Realmente foi lindo, inesquecível. Tão inesquecível, que até mesmo durante a missa quando ouço o Evangelho segundo João, sobre as bodas de Canaã, me vem à lembrança as bodas de prata dos Kedreys, naquela noite de inverno.
        A festa continuou noite adentro. Nós dançávamos todo tipo de música, desde o rock'n' rolI, country, jazz, blues. Afinal era a casa de um família norte-americana. Mas havia música italiana- Rita Pavone, Gianni Morandi, Modugno,  mexicana¬principalmente Tijuana Brass.
        Lá fora a garoa fina quase se fazia neve. Na radiola tocava, alguma coisa assim:
Olho para a chuva que não quer cessar, nela vejo meu amor.
Essa chuva ingrata que não quer parar, prá aliviar a minha dor
Chuva traz o meu benzinho, pois preciso de carinho
 diz à ela prá não me deixar triste assim...

Ou então: Meu broto me avisou que ia estudar e, ao cinema eu fui me distrair
E ao chegar nem pude acreditar, eu vi meu bem sentado com alguém    em frente a mim;
os dois abraçadinhos eu notei...
 e do princípio ao fim do filme, eu chorei ...


Pedro não dançou com mais ninguém. Até mesmo quando ia apanhar alguma bebida ou algo para comer, estava comigo. Falava calmamente, sem interromper ninguém. Muito educado, com fineza. Era o que nós chamávamos "um verdadeiro Gentleman" . Eu estava encantada com tanta delicadeza e, sentia em seu olhar a ternura de uma verdadeira paixão. Mas, já era madrugada e minha mãe chamou-me para voltarmos para casa. Supliquei-lhe para ficar. Julie pediu para que eu ficasse dormindo em sua casa. Nada a convenceu permitir. Despedi-me de todos. Tinha vontade de chorar, mas fui forte o suficiente para não fazer isso antes de chegar em casa, em meu quarto. Acredito que dormi chorando e rindo ao mesmo tempo numa mistura de emoções. Fiquei aborrecida com minha mãe, cheguei a pensar em nunca mais falar com ela, que ela fosse viajar e esquecesse de vez que eu existia.
Acordei tarde naquele domingo, mas a primeira coisa que lembrei-me foi do sorriso de Pedro, de nossas mãos unidas, das músicas, das danças, do desejo do beijo que não tivemos coragem de trocar. Havia sol, mas ainda fazia muito frio. Da janela do meu quarto podia ver a casa de Julie, ainda fechada. Estiquei-me um pouco e, por cima das casas em frente pude ver o telhado da casa de Pedro. Parecia que eu estava em uma outra realidade. Estava apaixonada. E Pedro também. Acreditei piamente nisso. Esperava estar com ele nesse mesmo dia ainda. E o beijo iria acontecer. Como eu queria aquele beijo. Diante do espelho, fiquei a admirar-¬me. Me senti mulher. Passei as mãos em meus lábios e, imaginei que meus dedos fossem os lábios de Pedro, unindo-se aos meus. Senti vergonha desse ato. Se minha mãe percebesse, o que faria? Mas esse pensamento se foi. Voltei a pensar em Pedro, a imaginar coisas e situações para podermos nos encontrar.
      Tínhamos um outro costume e, também por falta de opções, aos domingos íamos todos juntos à "matineé" num dos cinemas da cidade (só havia dois). Imaginei que pudéssemos,
naquele domingo, irmos juntos, Pedro e eu... Havia também de ir à missa às dezenove horas na Catedral... Acreditei que de algum modo iríamos estar juntos, nesse dia e em muitos outros... Fui "arrancada” desse devaneio quando minha mãe veio até a porta do quarto e disse que o almoço logo estaria pronto, que eu me pusesse em pé, logo.
Nem o aroma delicioso do almoço de domingo, preparado minuciosamente por minha mãe, despertava-me o apetite, apenas queria estar com Pedro.
Naquela tarde fui ajudar Julie colocar a sala em ordem e, nossa conversa não foi outra senão a festa, as meninas e meninos, os presentes, o gole de cuba-livre que tomamos escondido e até do cigarro que alguns meninos mais ousados haviam comprado e levado.    Tudo era novidade, havia algo de mágico, no ar.
No terraço, à tarde batia sol e ficamos lá olhando a cidade, os carros trafegando pela Rua Vicente Machado, as pessoas saindo do Cine Jeanne. Falamos muito sobre Pedro. - Sabe", disse Julie com um ar desolado, depois que você foi embora o Pedro dançou com a Regina e... Meu peito doeu, meu coração disparou, murchou. Eu estava enciumada. Senti-me traída. Que sensação de tristeza aquela. - E como foi Julie? Ele namorou a Regina? Julie sentiu a minha dor, mas ela era muito minha amiga e continuou: - Eu disse para o Aron que o Pedro foi um canalha com você, e que eu iria contar tudo o que vi. Não quero que você se engane Nina, nem que esse Pedro aí fique te fazendo de boba. Interrompi Julie, com os olhos cheios de lágrimas: - Conte-me tudo o que você viu Julie, vamos seja minha amiga, por favor. Julie continuou. - Depois que você foi embora, a Regina veio convidar o Pedro para dançar e não desgrudou mais  dele. Acho que a culpa não é só dele, Nina. Ela se pendurou nele, igual enfeite. Você sabe bem que ela já teve namorado e... - Vamos Julie, fale! - Tá bom, mas não vá chorar mais por favor, é melhor sofrer agora do que depois, caso vocês namorassem de verdade. Julie continuou falando, receosa em me magoar: - Fato é que eles foram lá para o jardim, mesmo com aquele frio, e, eu vim até aqui e pude ver os dois no maior agarramento, até se beijaram na boca, que eu vi. Pronto, contei. É isso minha amiga. Agora pense bem no que vai dizer a ele quando ele vir te procurar. - Não Julie, ele não vai me procurar mais, eu não quero! Não vou deixar ele se aproximar de mim, outra vez!
        Por muitos dias chorei, lembrando de Pedro. E durante alguns meses sentia a angústia da primeira ilusão, da primeira "traição", do engano. Qualquer coisa que me lembrasse daquela festa era motivo de tristeza para mim, de decepção. Nunca mais falei com Pedro. Nunca mais falei com Regina, também, porque pouco tempo depois, seu pai, que era militar foi transferido para o Rio Grande do Sul. Nunca mais a vi.
       O tempo foi seguindo rápido. Julie e sua família foram morar em Joinville, no Estado de Santa Catarina. A última carta que recebi dela foi em novembro de 1980, pelo meu aniversário. Ela entrara para uma escola de música e estava feliz, fazendo planos para estudar em Curitiba ou em Florianópolis.
        Eu terminei o segundo grau e fui para Ponta Grossa, fazer faculdade. Não  fiz Psicologia como pensava que queria. Achei muito arriscado tentar entender o ser humano em suas emoções. Estudei Direito e acabei seguindo a Magistratura. É mais fácil julgar que entender as coisas que acontecem com homens e mulheres.
    Em 1989, fui designada para uma comarca no interior do estado. Revisava alguns processos já arquivados e, um chamou-me a atenção. Na capa estava escrito: "Processo crime... Pedro Yvan Rondarsi", e em letras menores "estupro seguido de morte por estrangulamento". Abri a pasta e nas primeiras páginas pude ler que ele havia violentado e estrangulado a menor de quatorze anos Elizabeth Levine Platzg... filha de Gilberto ... em agosto de 1983 e cumpria pena de trinta anos em regime fechado e, o pior - era reincidente. Em maio de maio de 1981, em São Borja - RS, havia violentado "Regina Célia Lins Viana, dezoito anos... filha do Major
Viana "... Mais uma vez meu coração disparou por causa de Pedro. Mas desta vez foi de tristeza pela escolha que ele fez em sua vida, e tristeza pela menina que perdera a vida em suas mãos assassinas, e por Regina e sua escolha.
       Emocionei-me pelo fato e senti depois de muitos anos a alegria de ter sido traída... Realmente pela primeira vez senti-me livre daquela mágoa da primeira paixão. Em muitos anos estive presa à idéia de vingança pela traição de Pedro e Regina. Agora já não preciso disso. O destino deles encarregou-se disso, lamentavelmente...
        Quanto a mim? Estou amando. Sou amada. Meu marido é uma pessoa fascinante, ótimo profissional, bem conceituado. Temos filhos maravilhosos.
         Sou imensamente feliz com a vida que escolhi!
NENINHA ROCHA
Enviado por NENINHA ROCHA em 04/06/2006
Código do texto: T169445
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Sobre a autora
NENINHA ROCHA
Guarapuava - Paraná - Brasil, 56 anos
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NENINHA ROCHA