Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Ladrão sem permissão




Não pedi pra ser assaltada! Disse não ao ver os olhos do ladrão que nunca quis ver os meus. Há ladrões por todo lado. Os presídios estão cheios deles, mas os piores estão soltos e roubando descaradamente no meu nariz que, me dêem licença,  também sou povo e apelo para uma justiça que parece não ter ouvidos nem olhos nem sentidos para me ouvir.
Segurança? Procuro, mas não encontro nem em minha própria casa, basta ver as janelas, todas fechadas em grades. Portas trancadas, cães de guarda, eu trancafiada quase sem movimento porque o ladrão caminha solto, livre, passeando pelas minhas ruas, as quais eu pago imposto para não poder usar porque os que deveriam ser responsáveis pela minha segurança me dizem que o melhor é ficar bem trancada em casa visto as coisas estarem perigosas. Absurdo! Digo não ao ladrão, mas... A qual deles? Começaria a dizer meu não àqueles que roubam sem punição porque, sejamos honestos, há várias interpretações para a lei, ou seja, se eu roubar, vou presa e perco minha vida, agora, se eles roubam, saem nos jornais como heróis... Não sei, mas eu acho que a lei deveria ser ligada a justiça, assim sendo, deveria ser justa e não é o que acontece, não é o que vejo, não é o que o mundo nos mostra.
Temos uma mulher que vai presa por pegar um pode de margarina em um supermercado e lá fica trancafiada por meses, ao mesmo tempo, temos casos que ao meu ver são muito piores que nem chegam perto das cadeias, ao contrário, continuam roubando na cara de todo mundo, mas todo mundo deve ter problemas de visão visto nunca enxergar os roubos. Isso me chega como ofensa aos meus princípios, ofensa à ética humana, se é que ainda há alguma. Dignidade, solidariedade, humanidade já virou frase de pasquim. Ninguém se importa, ou melhor, eles não se importam se são vistos ou não, contanto que todos se façam de cegos. E aí vem o ladrão, de novo o ladrão. E sorri, tapinhas nas costas, pede voto ou promete um mundo de faz de conta sem conta de cumprir.

“Todo mundo rouba”, me dizem as bocas comodistas, mas eu não roubo e não gosto de ser roubada, não gosto de ter minha casa, meu país, meu espaço roubado. Não quero mais ver ladrões sendo tratados como doutores dignos de respeito, afinal, parto do pressuposto de que para se ter respeito, tem que se dar a ele.   Cansei de ver a impunidade solta enquanto um povo que trabalha suando a camisa tranca-se nos impostos que paga justamente para não ser punido.

O ladrão rouba, mata, estupra a sociedade, mas continua com o sorriso fétido de corrupto na cara inocente que veste, pois sabe que vai sair aplaudido pela amnésia popular, afinal de contas, como diz o ditado, aqui tudo acaba em pizza... Aqui e em todo lugar pelo que podemos ver.
Há ladrão roubando ladrão e na disputa dos leões, nós é que pagamos o pato, os impostos altíssimos, os preços também cada vez mais altos e a qualidade de vida que está cada vez mais difícil de se conseguir manter.

Eu sinto muito, mas cansei. Não dei permissão e nem darei. Sinto ver meu mundo rachando ao meio, rompendo-se, morrendo nessa incineração de valores. Para onde foi a moral e a ética? Com certeza foram levadas pra bem longe, não do povo, é claro, porque a esse  é cobrado muito mais que isso.

Então, vamos votar... Não, primeiro vamos torcer. Vamos vestir o verde e amarelo da seleção, ver o Brasil marcar não só um, mas muitos gols. Vamos esquecer os ladrões, esquecer os corruptos que sempre saem impunes a tudo. Vamos nos esquecer que somos um povo assaltado, estuprado, violentado e cantar pra frente Brasil com emoção. Vamos desviar os olhos dos cofres públicos já tão vazios e nos esquecer, nem que seja só para torcer, que os culpados dos assaltos ainda estão a solta prontos para extorquir ainda mais de cada um de nós.

São ladrões, engravatados ou não, no poder sim, todos eles. Ladrões fora das grades, fora das leis, fora das cobranças e promessas, fora de ideais, de pátria, fora de contexto, mas que para meu mundo, haveria de ter muita diferença se pudesse ver nem que fosse por uma única vez o grande gol do meu País livrando a cara do povo, dos corruptos e ladrões soltos que caminham impunes fora das grades que na verdade eu nunca quis.

06/06/2006

 
Aisha
Enviado por Aisha em 05/07/2006
Código do texto: T187988
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre a autora
Aisha
Jundiaí - São Paulo - Brasil, 50 anos
791 textos (35174 leituras)
1 e-livros (57 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 04/12/16 16:39)
Aisha