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Quem espera sempre alcança - Capítulo III

     Um dia notei que meu corpo ia se  transformando. De corpinho de guria ia se transformando em corpo de mulher.

     - Rogério, eu estou notando umas diferenças em mim. Acho que estou grávida. - disse com expressão de espanto.

     Ele olhou para mim, duas lágrimas brotaram-lhe dos olhos e desceram pelo rosto macio e disse:

     - Aparecida, meu amor! Minha vida! Seu pai manda me matar...

     - Não! Não!... Ele não é capaz de tal crueldade! - falei em prantos.

     - Vamos falar com eles! - falou Rogério chorando.

     - Será que eles compreenderiam? Tenho medo! - falei abraçando Rogério com toda a emoção de minha alma.

     - Nós não deveríamos ter feito isto! Eu sou todo o culpado. Já sou maduto, tenho trinta anos. Você é uma adolescente. Eu não deveria ter deixado me envolver pela emoção!...

     Coloquei a mão em sua boca interrompendo-o.

     - Se você fez, não fez sozinho e nem me obrigou, se alguém tem culpa, este alguém somo nós dois, que agora tornou-se um só, no fruto do nosso amor! Nós vamos enfrentar papai e mamãe. Nós temos condições de assumir o nosso amor! - falei decidida e firme.

     - Aparecida, vamos fugir! Eu tenho umas economias que dá para nos manter pelo menos um ano até eu arrumar emprego e construir nossa vida juntos, nós três. - falou isto chorando com a mão na minha barriga.

     - Não! Eu tenho medo! Meu pai nos acharia até no fim do mundo e ficaria pior... Eu vou falar com eles. Eu falo sozinha, depois você vai lá em casa. Vou falar hoje mesmo. Vou aprovaitar que papai está em casa. - falei com uma coragem que até então não conhecia.

     - Faça como você achar melhor, mas antes, tenha certeza que eles não vão nos separar e eu vou morrer se ficar sem você. - falou me abraçando com forte emoção.

     Fui para casa imaginando um jeito de falar com meus pais.

     Cheguei e os chamei no meu quarto.

     - Papai, mamãe, eu tenho um assunto de grande importância para tratar com vocês... É um assunto que irá mudar toda a nossa vida. Aliás, ja mudou. - falei com voz trêmula e segurando as mãos firmemente, que estavam geladas e suadas.

     - Fale logo, guria, eu tenho de tratar os meus negócios, não tenho tempo a perder com casos sem importância. - falou papai com a voz segura que tinha.

     - Deixe a guria falar, Olegário, pelo jeito arrumou um namoradinho e está sem coragem para contar. - disse mamãe em tom irônico.

     - Acerto mamãe, é isto mesmo, arrumei um namorado e não tive coragem de contar. Já estou namorando com ele há oito meses e agora não dá mais para esconder.

     - Há oito meses?! - berrou papai. - E você não descobriu isto, Ana? Ou sabia e escondias também?

     - Não, Olegário, eu não sabia, juro a você que não sabia. Quem é ele, Cidinha? Agora você vai nos contar tudo! - gritou mamãe.

     - Ele é meu professor. É muito mais velho que eu, mas me ama e eu também o amo. - falei com voz alterada.

     - Ah! Professor de uma figa! Vou mostrar-lhe o caminho da saída da  cidade e não o verá nunca mais! Onde já se viu, um professor namorar uma criança? A diretora do colégio vai se ver comigo. - gritou papai vermelho de raiva. E continuou. - Você não o verá nunca mais, eu vou lhe mostrar o que acontece com quem mexe com a filha de Olegário Salomé! Você não terá nenhuma lembrança dele! Nenhuma... - papai e mamãe falando na minha cabeça como loucos.

     - Isto o senhor não pode fazer, porque quer os senhor queira ou não, uma lembrança dele ficará comigo para sempre! - gritei também.

     Papai tirou o cinto da cintura, dobrou e levantou contra mim e eu vendo aquela cena gritei:

     - Não bata, papai! Se o senhor bater, estará batendo em uma mulher grávida...

     Papai parou com a mão no alto. Mamãe caiu no chão desmaiada e eu no canto fiquei sem me mexer, olhando aquilo tudo como se fosse um pesadelo.

     Papai socorreu mamãe, chamou o médico e logo depois saiu.

     Eu fiquei no meu quarto, encolhida com muito medo. Ás vezes pensei que fosse melhor ter fugido com Rogério. Tinha medo que na hora da raiva papai fizesse-lhe algum mal.

     Foi um corre-corre de empregados. Cada um cumprindo as ordens de papai sem saber o que estava acontecendo.

     Do jeito que estava, permaneci.
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Enviado por Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles em 21/07/2006
Reeditado em 30/08/2006
Código do texto: T198728
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Sobre a autora
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 58 anos
152 textos (4029 leituras)
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