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MARCADA - Capítulo I

     Sento-me à mesa, pego a caneta e começo a me lembrar de tudo que aconteceu na minha vida.

     Nasci de uma família muito pobre. Meu pai era guarda-noturno, ganhava pouco mais do salário mínimo, isto porque recebia extras lavando carro, pois era vigia de uma garagem de um edifício. Mamãe, coitada, fazio o que aparecia para aumentar o orçamento doméstico. Fazia salgados para festas, costurava, fazia faxina nos apartamentos. Éramos cinco filhos. Eu, a mais velha, Cláudio, Sérgio, Patrícia e Juliana.

     Mamãe me ensinou desde cedo que todos tinham de ajudar para que fôssemos felizes:

     - Cristina, mamãe te coloca para trabalhar tão pequena é porque todos nós temos de aprender a fazer tudo. A vida, minha filha, é cheia de coisas que você não entende ainda, mas logo entenderá! - falava mamãe, sempre com carinho e amor que apesar de muito trabalho tinha tempo de nos oferecer.

     Eu queria ser como as minhas amiguinhas ricas:

     - Mamãe, por que eu tenho de limpar a casa, a louça e cuidar de meus irmãozinhos? E não posso brincar como a Carla, a Renata e a Jô?

     - Filhinha! Mamãe já lhe explicou, olha, você agora tem oito anos, quando você estiver com seus doze, treze anos, você irá compreender. Olha, presta atenção! Seu pai é guarda-noturno, enquanto os pais da Carla e da Renata são médicos e o da Jô é engenheiro. Nós estamos morando aqui, no apartamento do zelador do prédio, de favor, porque eles gostam muito do seu pai e por enquanto o zelador é solteiro e mora com a mãe. Eles nos deixaram morar aqui, porque seu pai não ganha o suficiente para pagar aluguel, luz, água e dar conta da comida de vocês.

     Nós morávamos no centro de Brasília, nossos vizinhos eram médicos, dentistas, engenheiros, advogados, senadores e deputados.

     O tempo foi passando, nós fomos crescendo e sempre naquela vidinha. Meu pai olhando os carros, mamãe fazendo o que sabia. Eu fui aprendendo... Aprendi cuidar bemde uma casa, cuidar muito bem de crianças, pois Juliana praticamente fui eu quem a criou. Aprendi fazer salgados, bolos, doces. Eu estava bem prparada para ser uma boa dona de casa, porém não tive tempo de estudar.
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Enviado por Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles em 28/07/2006
Código do texto: T204028
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Sobre a autora
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 58 anos
152 textos (4027 leituras)
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