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MARCADA - Capítulo V

     Estava trabalhando há vários meses na lanchonete, quando um dia chegou um rapaz de olhos verdes, cabelos castanhos claros e bem vestido.

     - Um bauru, por favor.

     Fiz o sanduiche e o servi. Ele olhou para mim com um olhar diferente. Tinha algo diferente no olhar dele...

     Saiu, não disse nada. Todos os dias no mesmo horário ele vinha lanchar. Engraçado... eu nunca me interessei por rapaz nenhum e este o esperava. Naquele horário eu sempre estava no balcão. Um dia, ele resolveu falar comigo:

     - Oi! Como vai?

     - Vou bem! E você?

     - Quando vejo você fico melhor ainda. - disse ele querendo pegar em minha mão.

     Eu recusei.

     - O que é que tem pegar em sua mão, lindinha?

     - Nada! Não tem nada, só que eu acho que não deve.

     - Tudo bem. Eu respeito seu ponto de vista. Mas será que eu poderia saber seu nome?

     - Claro! Meu nome é Cristina. E o seu?

     - O meu nome é João. João Netto, tenho o nome do meu avô.

     - Do meu pai também. Meu pai chamava-se João. - falei e abaixei a cabeça recordando meu querido papai que fora tão precocemente.

     - Chamava, ele já morreu?

     - Sim.

     - Está na minha hora. Gostaria de conversar com você mais vezes, Cristina.

     - Quando der a gente conversa. - falei com o tom baixo e apreensivo.

     Eu gostei daquele rapaz, mas tinha medo. Medo de me decepcionar, não sei porque eu tinha muito medo de namorar e me envolver com namorado e deixar a minha reponsabilidade com os irmãos. Eu dava-lhes roupa, calçado, material escolar, enfim, tudo que eles precisavam, mamãe só tomava conta da despesa da casa.

     Fui ao banheiro, olhei-me no espelho.

     - Será o que está acontecendo comigo? Será que estou apaixonada?

     Aquele dia eu trabalhei meio perturbada. Só sabia o seu nome, não sabia mais nada sobre ele. Só sentia uma coisa estranha...

     Por mais que prestasse atenção não o via mais na lanchonete. Não comentava com muinhas colegas, pois sabia que não iriam entender minha preocupação.

     O tempo foi passando e eu tentando colocar em minha cabeça que aquele era apenas um aventureiro.

     Em casa sempre preocupada com os estudos dos meus irmãos e tudo que se relacionasse a eles.
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Enviado por Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles em 01/08/2006
Código do texto: T206595
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Sobre a autora
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 58 anos
152 textos (4027 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 05/12/16 08:33)