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MARCADA - Capítulo VI

     Mamãe estava mudada. Não era mais aquela mãe que conversava conosco, que dividia as alegrias e angústias. Eu sentia esta mudança,mas nunca procurei saber o motivo. Ela sempre tinha uma reunião para ir nos finais de semana. Sempre arrumava uma desculpa para não ficar com a gente. Um dia resolvi:

     - Mamãe, tenho notado algumas mudanças no seu comportamento. Anda sempre bem arrumada, sai quase todos os finais de semana, afinal não é a mesma...

     Antes mesmo de terminar de falar fui cortada.

     - O que você tem com a minha vida, menina? Trate de sua vida, deixe-me em paz.

     Estranhei a maneira áspera que me tratou, não era assim a nossa conversa quando papai era vivo, e mesmo pouco tempo depois da sua morte.

     - Eu não tenho nada a ver com sua vida mamãe, mas você tem com a nossa! Eu trabalho até a madrugada para te ajudar a criar os meninos. O Cláudio vive solto pela rua, será que a senhora não vê isso? No tempo de papai tudo era diferente... - falei já chorando.

     - No tempo de seu pai era outro tempo, foi seu pai quem morreu, não fui eu, por isso, minha vida eu vou curtir daqui pela frente. É isso mesmo, estou namorando com Dirceu e pretendemos nos casa logo, logo...

     Cortei-a:

     - Com o Dirceu!? Não é possível, mamãe, você terá coragem de casar com o Dirceu? - falei gritando.

     - Vou me casar com o Dirceu, sim. E se vocês não quiserem ele aqui, eu arrumo outro lugar para morar com ele, e até logo que eu tenho um encontro com ele agora.

     Fiquei chorando feito uma desesperada, não sabia o que fazer. Dirceu era o rapaz mais à toa que existia no bairro, era traficante de maconha, muitas vezes já tinha sido preso. Não, eu não conseguia entender porque mamãe mudou tanto.

     Esse dia nem fui trabalhar. Fui ao encontro de tia Marieta e contei tudo a ela.

     - Eu não acredito, Cristina, que Marilda tenha se envolvido com Dirceu, não dá pra acreditar!!!

     Tia Marieta ficou indignada. Fomos as duas falar com tio Jordelino.

     Tio Jordelino era comerciante e tinha a vida bem estabilizada, tinha várias casas alugadas e seus filhos já eram todos casados.

     - Não se desespere, minha filha, eu vou tomar conta de vocês. Esta semana desocuparam uma casa aqui bem pertinho. Vocês vêm morar aqui, lá junto com esse Dirceu vocês não podem ficar. - traqüilizou-me, tio Jordelino.
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Enviado por Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles em 01/08/2006
Código do texto: T206683
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Sobre a autora
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 58 anos
152 textos (4029 leituras)
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