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MARCADA - Capítulo VII

     Eu estava com quase dezessete anos, Cláudio com quinze, Sérgio com treze, Patrícia com onze e Juliana com nove.

     Consegui no mesmo dia a transferência dos meninos para um colégio mais perto da casa onde iríamos morar. Chamei os meninos e falei:

     - Meus queridos, eu preciso falar uma coisa muito triste com vocês, mas tenho a certeza que irão entender: Nós vamos nos mudar daqui, vamos morar lá no centro da cidade, lá perto da casa do tio Jordelino.

     - Como mamãe não falou nada? - disse Juliana - que era a mais apegada com mamãe e estava sofrendo muito com a sua mudança.

     - Juliana, mamãe não lhe falou nada, porque ela não vai. Só vamos nós!

     - Sem mamãe eu não vou! - ouvi da boca de Patrícia que quase não falava.

     - Se Cristina está falando que vamos só, é porque somos obrigados a deixar mamãe, Patrícia e Juliana! - me surpeendeu vendo Cláudio falar com tamanha segurança.

     - Cristina, eu sei de tudo o que está acontecendo, por isso que não páro aqui, só para os outros rapazinhos ficarem jogando piadinhas para mim, sobre minha mãe? Meus irmãos, papai morreu e mamãe também. Não temos nem pai, nem mãe! - falou Cláudio irado.

     - Não, Cláudio! Não fale assim, eles não entendem. - Corrigi Cláudio.

     - É isso mesmo, a partir de agora, Sérgio, Juliana e Patrícia, eu e Cristina que vamos tomar conta de vocês.

     Fiquei muito surpresa e satisfeita pela atitude de Cláudio, Deus teve pena e fez-o virar homem.

     Sérgio, Patrícia e Juliana choraram muito, mas eu consegui explicar-lhes e eles entenderam. Não coloquei em seus corações o ódio que Cláudio sentia dela, mas sim o amor e a compreensão, que ela precisava de um companheiro e deu azar na escolha, mas pedia sempre a Deus para que desse-lhe compeensão e arrependimento que iríamos aceitá-la como antes.

     Fiz tudo com a ajuda de tio Jordelino, tia Marieta e Cláudio.

     Quando estávamos saindo, mamãe chegou. Parou na calçada que dava para a entrada da porta e falou:

     - Que é isto, Cristina?

     - O que a senhora queria, mamãe. Ficar livre de nós! - falei e fui saindo, pois as crianças já estavam no caminhão me esperando, e ainda escutei ela dizer:

     - Vá mesmo! Assim poderei ficar bem feliz com meu amor. Sem menino para me atrapalhar...

     Mamãe só podia estar perturbada, aquilo não era normal.

     Tio Jordelino e tia Marieta me explicaram o que acontece com uma pessoa que se envolvia com pessoas do tipo de Dirceu.

     Telefonei para "seu" Ariovaldo explicando-lhe tudo e pedindo uma dispensa por alguns dias para me estabilizar com minha familhinha.

     Ele concedeu-me uma semana e deu tempo suficiente para ajeitar tudo. Patrícia e Sérgio estudavam à tarde e Cláudio e Juliana, de manhã.

     
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Enviado por Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles em 01/08/2006
Código do texto: T206705
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Sobre a autora
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 58 anos
152 textos (4027 leituras)
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