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MARCADA - Capítulo XIII

    Fui para Anápolis. Já estava lá há dez dias em um hotel. Havia pego uma licença médica para justificar a minha ausência no banco. Estava perdendo aula, mas estudando no hotel, pois não saía pra nada.

     Uma noite, ainda cedo, já estava dormindo quando acordei com umas batidas bruscas na porta, nem imaginei que fosse João Netto.

     - Ah! Como vai o seu estágio, está indo tudo bem? Sua mentirosa, você me paga! - falou já entrando, trancando a porta e me jogando em cima da cama.

     - Não, João Netto, não me maltrate, eu fiz isso pelo meu filho, eu sabia que se falasse com você, não iria entender...

     Consegui que me escutasse, contei tudo a ele, o que o médico me disse a respeito da infecção. A possibilidade de aborto...

     - Que ótimo, esta infecção ter aparecido! Assim se essa maldita criança morrer, você não poderá me acusar.

     João Netto estava completamente louco. Falava e dava gargalhadas, que eu quase desmaiava de pavor.

     Aquela noite foi uma das noitees mais pavorosas que passei. Ele me amarrou na cabeceira da cama com os braços para trás, amarrou meus pés e fez o que imaginou, nem posso relatar com detalhes, pois sinto muita vergonha... Queimou minha barriga com cigarro, tão profundamente que até hoje sinto as dores quando vejo as cicatrizes e isso tudo sem porder gritar, pois amarrou um lençol me amordaçando.

     No outro dia mesmo me obrigou a voltar para Goiânia.

     Contei tudo para dona Gilda, que ficou indignada. Quando João Netto chegou ela falou com ele:

     - Você não o direito de fazer isso com Cristina. Não tem este direito, deixe-a em paz, deixe-a ter seu filho em paz, você nem imagina o que seja uma gravidez; tranqüila já é difícil, imagina nesse inferno que você tornou a vida dela. Se você não quer esse filho, deixe-a, separa dela. Olha, eu vou dar-lhe um aviso: Se você continuar assim, eu vou entregar-ta à polícia ou te enternar num hospital de maníacos-depressivos. Escuta o que eu estou te falando!!!

     João Netto dava cada gargalhada, que parecia mesmo louco.    
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Enviado por Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles em 04/08/2006
Código do texto: T208981
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Sobre a autora
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 58 anos
152 textos (4029 leituras)
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