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MARCADA - Capítulo XIV

     Passou-se três dias e dona Gilda não apareceu. Fiquei preocupada e fui até sua casa.

     Quase desmaiei de susto, pois a porta estava cerrada e eu entrei, ainda bem que dona Maria, sua vizinha, foi comigo. Dona Gilda estava caída no chão da sala com um copo na mão. Eu entrei em pânico! Dona Maria chamou a polícia, fizeram a necrópsia e constataram que ela bebera um veneno terrível, já me esqueci o nome.

     Fiquei desesperada, pois algo me dizia que não fora suicídio, algo me dizia que ela tinha tomado aquilo por pressão ou por engano.

     Naquele dia não vi João Netto, havia sumido, ninguém sabia para onde havia ido.

     Com a perícia mais apurada, encontraram na cozinha uma vasilha de leite, com todo o leite contaminado pelo mesmo mortífero.

     Minha vida estava mesmo sem graça! Meu pai que tanto amava, tinha sido assassinado por ladrões, minha mãe estava naquela prisão, meio doida, mesmo assim íamos visitá-la, eu e meus irmãos, mas ela não dava a mínima atenção para nós, parecia que éramos estranhos. E agora, assassinaram minha segunda mãe.

     Providenciei tudo, o velório, o enterro. Faltando quinze minutos para o enterro, João Netto chegou chorando muito, fazendo uma cena que eu sabia que era tudo fingimento. Não falamos no assunto, deixei minhas dúvidas para Deus responder.

                 *   *   *

     Chegou o dia do nascimento do meu filho, passei o dia todo sentindo fortes dores.

     À tarde, os médicos resolveram me operar, pois não tinha condições de ter parto normal.

     Correu tudo bem na cirurgia. Apesar da gravidez atribulada, nasceu uma linda menina, era a cara de João Netto!

     Três dias depois recebi alta do hospital. Neste meio tempo, entre o parto e a recuperação, não vi João Netto, quem cuidou de mim foram Patrícia e Juliana. Elas me disseram que João Netto havia viajado a serviço do banco.

     Fui para casa. Juliana ficara em casa comigo para cuidar de mim e da criança. Naquela tarde mesmo João Netto chegou. Fez a maior cena possível, dizendo que se soubesse, deixaria o serviço para o outro mês ou mandaria alguém em seu lugar, mas quando saiu já me deixou sentindo mal. Falou aquilo só porque Juliana estava presente.

     - Que tal, querida, colocarmos o nome de mamãe? Gilda, Gilda Cristina para ficar mais completo o nome! Gilda Cristina Mendonça de Menezes! Lindo como a dona!

     - Tudo bem, será uma homenagem àquela inocente que alguém matou por covardia. - falei e comecei a chorar. Ele saiu do quarto, creio que chorando também de remorço.

     À noite, Juliana já tinha ido dormir, quando João Netto entrou no quarto para dormir também. Gilda Cristina estava chorando.

     - Cala a boca, menina nogenta! Menina feia!!!

     Levantei com toda dificuldade, coloquei Gilda Cristina para mamar e passei várias noites acordada com medo de João Netto a matar.

                      *   *   *

     Com o passar do tempo, João Netto ficara mais agressivo, quando eu o recusava, ele ameaçava pegar minha irmã Juliana, que passou a morar comigo para cuidar de Gilda Cristina.

     Juliana naquela época tinha doze anos, mas era uma moça muito bonita, um corpo de fazer inveja a qualquer modelo fotográfico.
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Enviado por Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles em 04/08/2006
Código do texto: T209001
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Sobre a autora
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 58 anos
152 textos (4029 leituras)
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