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A Cama de Casal

Escrevi esse conto em 2002, e o disponibilizo em e-book também aqui nesse site.
Posto o início dele, se você gostar, é só baixar, está em zip auto-executável e é automático. Depois, é só clicar em "Cancel".

Um grande abraço!




"O barraco número 16 estava vago. Depois que o seu Tião morreu, a viúva juntou os filhos e se foram para morar com parentes.
Mas como todos os outros barracos, raramente se passavam três dias antes que estivesse novamente ocupado. Bem localizada, a favela era muito disputada.
E logo chegou a mudança, se assim podia ser chamada, trazendo os novos moradores. Um caminhãozinho que parecia desabar junto com os móveis, o motorista e um casal, sem filhos visíveis, nem cão.
- Sem filhos? dona Leonor perguntou, abismada. Se a pobre sabia fazer alguma coisa, era filhos.
- Devem ser recém-casados, retrucou dona Ana.
Todos os desocupados (e os meio ocupados também) vieram para as portas, espiando com a normal curiosidade humana, muito visível num aglomerado de gente como aquele.
O homem, moreno alto e forte, caladão e sério, a mulher uma moreninha cheinha, sorridente.
Os poucos e precários móveis foram entrando no barraco, e pela quantidade logo o caminhão se foi, trepidando ainda mais.
Um fogão velho, uma mesa pequena e torta, um guarda-roupa sem portas, um armário com apenas uma (e torta), e o xodó – uma cama maciça, bonita, pesada.
- Deve ser o presente de casamento, dos padrinhos, disse dona Ana.
Malu respondeu – É mesmo, um luxo! Nem nas lojas eu vi coisa igual! Linda!
E logo voltou para o tanque, ralhando com os meninos, enquanto dona Ana, sentindo cheiro de feijão queimado correu pra cozinha, praguejando. Dona Leonor deixou-se ficar, olhando e pensando. Como a mais velha na favela, era como se fosse a matrona do lugar. Viúva e aposentada há anos, os filhos, netos e bisnetos longe, cuidando das próprias vidas, não tinha muito com o que se ocupar. Pensava em ir se apresentar, ver como estavam se arrumando, quando viu a porta se fechar.
- Bem, que se arrumem sozinhos, então!
Parecia que lhe haviam batido com a porta na cara, e isso a irritou.
- Esses aí, não sei não... Fechar a porta de dia, que coisa!"
Edilene Barroso
Enviado por Edilene Barroso em 11/08/2006
Código do texto: T213825

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Sobre a autora
Edilene Barroso
Campinas - São Paulo - Brasil, 53 anos
192 textos (21460 leituras)
12 áudios (4784 audições)
5 e-livros (337 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 08/12/16 14:46)
Edilene Barroso