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O MENINO QUE QUERIA SER DOUTOR - Capítulo II

     Chegamos na fazenda. Para nós, não tinha lugar melhor, era tudo muito bonito. A casa que íamos morar era grande. Tinha três quartos enormes, sala, cozinha, corredor. Aquilo tudo era fascinante.

     Aos poucos íamos descobrindo os lugares. Nós gostávamos de tomar banho numa cachoeira que tinha nos fundos da fazenda. Tinha uma gruta e lugares pitorescos que passávamos todo o nosso tempo de folga.

     De manhã a nossa tarefa era de debulhar milho para as galinhas que parecia ser umas trezentas. Fazíamos apostas para ver quem debulhava mais espigas. Todos os dias quem ganhava era Pedro, mas também pudera, era quase homem, já estava naquele tempo com onze anos.

     Era tudo tão atrasado, que já estávamos grandes e nunca havíamos entrado em uma escola. Eu era louco para aprender ler. Meu pai e minha mãe não sabiam ler. Vô era quem soletrava algumas palavras. Tudo que via escrito, levava para vô ler para mim.

     - Cassiano, precisa colocar Francisco na escola, ele é muito interessado. - dizia sempre meu avô ao meu pai.

     Dos irmãos eu era o mais interessado em aprender. Já estava com oito anos e sabia fazer de tudo um pouco. Conversava muito com pessoas que sabiam das coisas. Era muito curioso.

     Quando o capitão aparecia na fazenda eu ficava junto dele o tempo todo sempre perguntando, me informando. Ele me achava às vezes até chato. Eu sentia que não gostava muito desse negócio de criança ficar atrás dele querendo saber as coisas.
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Enviado por Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles em 16/08/2006
Código do texto: T217975
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Sobre a autora
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 58 anos
152 textos (4029 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 09/12/16 23:36)