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O MENINO QUE QUERIA SER DOUTOR - Capítulo VI

     A viagem foi angustiante. Não me saia da memória a imagem da minha família chorando, me pedindo para ficar...

     Chegamos em Belo Horizonte. Foi a coisa mais fascinante que vi em toda a minha vida. Que cidade linda!

     Mais extraordinária era a casa do capitão: tinha uma grade de ferro na frente, ao entrar a gente andava por entre um jardim maravilhoso, cheio de flores e plantas lindas. Ao entrar na casa parecia-me que ia entrando em um palácio real das histórias de vó. Tinha várias salas: a primeira era a sala de visitas, dois jogos de sofás estofados de pano azul claro com florzinhas cor-de-rosa, o tapete bem peludo bege e as cortinas combinando com o tapete. No centro, uma mesinha de mármore com vários enfeites. O que eu achei mais bonito foi um cavalo de louça, branco que coloquei-lhe logo o nome de Neve.

     A sala de jantar parecia um sonho: uma mesa enorme, doze cadeiras muito bem trabalhadas em volta da mesa, que na hora que cheguei estava com uma toalha de renda verde-clara e um jarro lindíssimo com rosas naturais bem vermelhas.

     Logo em seguida, a sala de leitura, uma estante enorme com inúmeros livros, que prometi ler todos, quatro sofás pretos e uma cadeira de balanço.

     Depois seguia um corredor que distribuía os quartos e banheiros. Tinha cinco quartos, quatro banheiros. Tinha peças nos banheiros que eu nem sabia para que servia.

     No fim do corredor era a copa com uma mesa menor, com seis cadeiras, um armário com a frente de vidro e todo espelhado por dentro, tinha neste armário copos e licoreiras de cristal, tudo tão maravilhoso!

     Depois da copa tinha a cozinha e a despensa, onde se encontrava dona Carolina preparando o jantar.

     - Boa tarde! - falei meio tímido.

     - Este é o garoto, Deoclécio? - falou se dirigindo ao capitão.

     Eu achei interessante, pois nunca havia ouvido seu nome. Para mim "capitão" era o nome dele, mas também todo mundo o chamava de capitão, nunca havia ouvido nem "capitão Deoclécio".

     - É sim, Carolina, mostre-o seu quarto e mande-o tomar um banho antes do jantar.

     - Venha menino, vou lhe mostrar seu quarto.

     Dona Carolina me levou para os fundos. Era um quartinho pequeno com uma cama e um guarda-roupa pequeno.

     Estranhei o quarto, pois achava que ia ficar em um quarto lá dentro da casa. Mas afinal de contas eu estava como um príncipe em vista do que eu era na fazenda.

     Arrumei minhas coisinhas. Ao lado do quarto, um banheiro simples, mas com chuveiro quente.  Achei o máximo: primeira vez que tomava banho em chuveiro. Tomei meu banho e fui para a cozinha tentar conversar com dona Carolina.

     - A senhora não tem empregada?

     - Não!

     - Como a senhora consegue fazer o serviço dessa casa tão grande?

     - É o costume, meu filho, a gente se acostuma com o trabalho e faz tudo num instante.

     - A senhora lava e passa também?

     - Não. Joana, minha lavadeira vem às quartas-feiras e lava e passa a roupa da semana toda.

     - Eu ajudava minha mãe no serviço de casa. Se a senhora permitir eu posso ajudar a senhora também.

     - E você sabe fazer alguma coisa de casa, menino?

     - Sei sim senhora, eu sei cozinhar, sei lavar louça, lavar roupa e muitas outras coisas mais.

     - Sim, então vamos ver. Depois do jantar você lava a louça!

     - Está bem! Ainda bem que a senhora concordou. Eu não ia agüentar ficar sem fazer nada.

     O jantar ficou pronto. Dona Carolina serviu o jantar na sala de jantar e eu fiquei na copa jantando sozinho. Quase não comi, veio um nó na minha garganta em lembrar-me da minha família, que àquela hora comiam todos juntos.

     Em um certo momento, dona Carolina pediu-me para levar o sal até à sala. Qual não foi a minha surpresa ao ver sentados à mesa dois garotos e uma garota lindíssima.

     Eu fiquei deveras deslumbrado com a beleza de Augusta. Os dois garotos o Eduardo, o mais velho e Jorge, o do meio, logo quiseram fazer amizade comigo. Brincávamos quando eu tinha um tempinho disponível.
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Enviado por Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles em 18/08/2006
Código do texto: T219403
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Sobre a autora
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 58 anos
152 textos (4029 leituras)
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