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P I O P A R D O



   Uma empresa de ônibus ( naquele tempo denominava-se "jardineira" e em algumas regiões, marinete ) optou por explorar uma linha entre nossa cidade e outra maior da região da Sorocabana, a qual atenderia várias outras pequenas localidades,e os moradores entre elas. Fou uma boa opção para todos numa época com tanta carência de transporte.

   O ponto inical era nossa cidade e pra isso o motorista teve de fixar residencia  aqui.

   Era um rapaz moreno, bem apessoado, falador ( hoje se chama: comunicativo) bom de volante, conhecedor da sua máquina de serviço e ficava horas no bar batendo papo e tomando umas e outras, afinal, já acabara seu turno.

   Acabamos sabendo que o mesmo adorava passarinhos....

   Quanto mais raro melhor...

   Quanto mais exótico melhor...

   Quanto mais desconhecido melhor ...

   Isso açulava sua mente, fazia-o  divagar, fazer perguntas:

   - Como é ele?

   -Como canta?

   - Se parece com que ?

   - Onde encontro ?

   - Quem me leva lá ?

   - A que horas poderemos ir ?

   - Fica longe ?

   - Posso pegar a jardineria.... ( antigamente os ônibus eram denominados de jardineira no interior paulista, assim como no nordeste, chamavam de marinete )

   O coitado foi sendo atormentado durante semanas com o tal de passarinho de nome esquisito e sua ansiedade cada vez crescia mais até que achamos chegada a hora de dar mais corda no rapaz.

   O Jura, sempre com idéias mirabolantes e com uma incrível dedução para coisas que pudessem servir de troça para os outros, ficou encarregado de bolar um plano.
Dito e feito.

   Sexta feira por volta das 23 horas chamou o motorista e disse que seria o dia e a hora para que ele conhecesse o passarinho.

   O local era o cemitério e o passarinho só cantava nesse dia e nesse horário.

   Puts, o cara quase teve um enfarte.

   Mas convencido e com umas na cabeça, foi...

   Não viu nada...

   Na outra semana foram novamente, nada...

   Aconteceu que todos já haviam se enchido daquele caso e estavam arquitetando outra sacanagem para algum outro incaulto.

   Todos, menos o motorista.

   Em um sábado logo cedo passamos pelo ponto da jardineira e vimos o pessoal todo à espera.

   Não havia nem ela nem o motorista.

   Verificamos que era passada a hora da partida e preocupados começamos a aventar o que poderia Ter ocorrido.

   Um dos rapazes que morava na casa ao lado do motorista disse que nem ela ( a jardineira )  nem ele haviam estado na casa na noite anterior...

   Olhamos um para o outro e pimba.... ou  heureka...

   Nos dirigimos ao cemitério...

   Lá estava a jardineira empoeirada, abandonada,  estacionada no portão de entrada  e nada do motorista.

   Adentramos e vagarosamente, entre alarmados e sorridentes , percorremos a alameda  principal, na quarta quadra, encostado em uma campa, o motorista dormia.

   Despertado, ao saber da hora, do compromisso, do emprego, dos passageiros, alarmou-se...

   Explicou que havia passado a noite à espera do tal passarinho raro de nome "pio pardo" e havia pego no sono.

   Com nossa ajuda a firma nem ficou sabendo do atraso e ele não perdeu o emprego, ainda bem.

   A partir daquilo o motorista passou a ser conhecido pelo nome de:

   PIO PARDO
GDaun
Enviado por GDaun em 20/08/2006
Código do texto: T220772

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Sobre o autor
GDaun
Lupércio - São Paulo - Brasil, 72 anos
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