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A VIGÍLIA

                                             
- Mamãe! Socorro! A Camila caiu!
- Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora...
- Você tá rezando com medo que eu tava morrida, vovó?
- Não, Cacate, e agora pare de chorar. Foi só um galo na sua testinha.
- Que gritaria é essa aí fora?
- Corre, papi e pegue a chave do carro para levarmos a Cacate ao hospital!
- Hos-pi-tal! O que aconteceu com a minha princesinha?!
- Ela foi pular na piscina, igual a você, e bateu a cabeça no fundo.
- Mami, onde você estava que não cuidou da menina?
- Está  vendo,  mamãe, como ele fala comigo?  É sempre assim.
 No caminho do hospital.
- Mamãe, eu dei trabalho a senhora quando, era pequena?
-Muito, Elvira. Na idade da Camila, você era uma bola com chumbo no traseiro. Caía para trás e quase rachava a nuca. Passamos noites e mais noites lhe vigiando. Isso sem falar no fôlego, que você engolia. Gerles vivia correndo com você nos braços, até que um farmacêutico, um anjo caído do céu, receitou-lhe uma boa palmada e água fria no rosto.
Aí, quando chegamos em casa, coloquei a caneca e o chinelo na mesa e fiquei esperando o seu ataque de piti. Assim que você rolou no chão, roxinha e sem fala, dei-lhe uma palmada no bumbum e lhe encharquei de água. Nunca mais você engoliu fôlego
No hospital, depois de examinar a criança, o médico lhes recomendou que a mantivessem acordada e  que, durante a noite, conversasse muito com ela.
Às dezoito horas, Elvira colocou a filha na cama e lhe disse:
- Amor, você não teve nada grave, graças a Deus. Só vamos ter que  conversar, para você sarar bem  depressa. Como é mesmo o seu nomezinho?
- Camila.
- E o da sua avó, que está aqui em casa hoje?
- Iná.
- Você sabe o nome do seu papai?
- Sei. É Fábio.
- E o da sua irmãzinha?
- Isabela.
- Muito bem! Durma com Deus que, daqui a pouco, bateremos outro papinho.
 E assim fez, de hora em hora, a mãe  zelosa.
Às seis horas da manhã.
- Cacate, sente-se para a gente conversar. Vamos, acorda, filha! É rapidinho!
-Meu nome é Camila, minha mãe é Elvira, meu avô é Gerles, meu tio é Juninho, minha empregada é Tolita e meu cachorro é Pupi. Deixa eu dormir,  Pôôôôôôôôô!


                                 
Anna Célia
Enviado por Anna Célia em 06/09/2006
Código do texto: T234092

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Sobre a autora
Anna Célia
Vitória - Espírito Santo - Brasil, 70 anos
1158 textos (55233 leituras)
1 e-livros (216 leituras)
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Anna Célia