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AUSÊNCIA

Hoje encontrei a escova de dentes que Matilde havia perdido. Caiu e ficou por detrás da pia. Está suja. Não serve para mais nada.
O amor, eu sei, caiu junto com a escova. Ficou detrás da pia confiança de que seria eterno. Não foi. O amor morreu a golpes de incontinência verbal.
Existiu, talvez, no momento da transa. Quando ela gemia alto e dizia que eu era o monarca, o príncipe, a majestade. E eu, mais homem, fazia aquele corpo cálido tremer de prazer.
Se ficássemos calados, se nada disséssemos, estaríamos juntos até hoje e eu iria até a cama e diria, todos os dentes, olha, Matilde, o que achei, e ela riria aquele riso calado, lindos dentes, belos lábios, rosto simples e lindo, sob o foco de luz do amor.
No entanto...
Fiquei por algum tempo olhando a escova. Atirá-la no lixo, foi o que me restou fazer...
Francisco C
Enviado por Francisco C em 11/09/2006
Reeditado em 07/11/2006
Código do texto: T237623

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Sobre o autor
Francisco C
Porto Velho - Rondônia - Brasil, 48 anos
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Francisco C