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LEMBRANÇAS DO PASSADO - Capítulo I

CARO(A) LEITOR(A)ESTE CONTO É ESCRITO EM CAPÍTULOS. EIS O PRIMEIRO.

     Se você está lendo este conto é porque você está interessado(a) em saber a minha história.

     Sou filha de um político de muito nome no nosso estado, sou de uma cidade pequena no Estado do Pará de nome Altamira.

     Meu pai, muito famoso em sua política, nunca teve muito tempo para pensar em mim.

     Quando eu tinha um ano e três meses, minha mãe sofreu uma doença horrível, os médicos não conseguiram denominar a doença, só sei que mamãe teve que ficar internada em um hospital em Belém. Talvez hoje em dia, os médicos tivessem conseguido salvar minha mãe, mas naquele tempo, mesmo na capital, era tudo atrasado, não tinha os recursos que têm hoje. Isto foi no ano de 1935.

     Eu tinha uma tia solteirona, tia Júlia, que foi morar conosco para cuidar melhor de mim.

     - Oscar, eu sei que Nazareth não tem salvação. Ficará naquele hospital, sem tempo para sair. Eu como sua irmã, tenho a obrigação de cuidar de Oscarina.

     - Muito obrigado, mana, não sabia o que fazer para arrumar uma pessoa boa para cuidar de Oscarina. Coitadinha! Tão pequeninina e sem o carinho da mãe.

     - Não chore, meu irmão, eu serei sua mãe de agora por diante, Deus me dê muita saúde para poder cuidar bem dela.

                 *   *   *

     O tempo se passou, e a nossa vida seguia com normalidade. Papai era deputado estadual e nós nos mudamos para Belém.

     Tia Júlia era minha verdadeira mãe, pois não me lembro de minha mãezinha...

     Eu já estava com quatro anos, quando minha mãe, depois de uma longa estadia no hospital, faleceu. Meu pai sempre a visitava, dava-lhe toda a assistência que necessitava, mas nunca me deixaram vê-la. Apesar de ser ainda muito pequena, lembro muito bem do dia em que ela faleceu.

     Papai entrou pela porta quase correndo:

     - Mana! Mana Júlia, onde está você?

     - O que foi homem? Que correria é esta?

     - Mana! Deus teve dó de Nazareth e de nós e a levou. - falou papai chorando.

     - Oh! Meu irmão!

     Meu pai e tia Júlia se abraçaram e choraram muito.

     Minha tia e meu pai passaram fora o dia todo e eu fiquei com a empregada.

     - Por que tia Júlia saiu e não me levou?

     - Ela foi fazer compras, Oscarina! - falou Iracema acariciando meus cabelos e chorando.

     - Por que você está chorando, Iracema?

     - Nada! Nada, Oscarina, vá brincar com sua bonequinha Lili, foi dona Nazareht que lhe deu quando você completou um ano. Sabe, sua mãe era tão boa, eu não entendo como uma pessoa tão boa como ela pode sofrer tanto...

     - Você está chorando é porque minha mãe morreu? Tia Júlia me falou que é bom para ela, morrer...

     - Não! Não, Oscarina, morrer não é bom! Quando você crescer você vai entender o que é morrer.
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Enviado por Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles em 12/09/2006
Código do texto: T238452
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Sobre a autora
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 58 anos
152 textos (4029 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 08/12/16 02:27)