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LEMBRANÇAS DO PASSADO - Capítulo III

CARO(A) LEITOR(A), ESTE CONTO É ESCRITO EM CAPÍTULOS, PARA ENTENDER A HISTÓRIA, SUGIRO LER OS DOIS PRIMEIROS. UM ABRAÇO. MARIA LÚCIA.

     Percebi que depois que me falou de seu interesse em casar, nunca mais tinha me falado de mãezinha.

     Passou-se uma semana e minha tia Júlia sentiu-se mal. Ela estava normalmente, sentada bordando uma toalha de mesa, quando começou a sentir uma dor no peito e desmaiou.

     - Iracema! Me ajude, tia Júlia está desmaiada! - Gritei desesperada.

     Iracema correu e a socorreu. Localizou meu pai e a levou para o hospital.

     Eu fiquei chorando desesperadamente.

     - Iracema, minha tia vai morrer?

     - Não! Oscarina, Deus não vai deixar dona Júlia morrer. - Iracema tentou me consolar, mas eu não aceitava a idéia de ficar sem tia Júlia...

     Tia Júlia ficou internada no hospital por doze dias. Neste período eu não comia e nem dormia direito, ficava só no quarto com a bonequinha Lili.

     - Bonequinha Lili, eu quero tia Júlia, eu não posso ficar sem ela. Será que Deus vai fazer tia Júlia morrer?

     Eu sei que era coisa de minha imaginação, mas eu escutava a bonequinha Lili falar e até mover os lábios bordados com linha vermelha. "Não, menina Oscarina, Deus não vai fazer tia Júlia morrer. Deus é amor. Ele não a quer ver triste, não fique assim, logo ela estará aqui, boa e feliz junto com você".

     Eu não tinha mais lágrimas...

     Papai chamou eu e Iracema e nos falou:

     - Oscarina, Iracema, vocês que convivem com Júlia, eu tenho um recado do médico: Ele falou que Júlia já tem condições de vir para casa, mas ela não poderá ser contrariada com nada!

     - Tudo bem Dr. Oscar da minha parte pode ficar sossegado.
 
     - Eu farei o mesmo papai. Estou doida para tia Júlia voltar para casa.

     Iracema deu uma arrumada na casa do jeito que tia Júlia gostava.

     À tarde ela chegou, meu coração de criança batia com tanta violência que parecia que queria sair do peito.

     - Como está a minha menina? - tia Júlia folou abraçando-me fortemente e chorando.

     - Cuidado, mana! Você não pode se emocionar!

     - Oh! Meu Deus! Eu te agradeço por dar-me mais um tempo de vida para ver minha menina criada.

     Chorávamos todos.

     Papai adiou o casamento, mas começou a introduzir a namorada em casa. A levava para almoçar conosco aos domingos. Saía comigo em companhia dela.

     Maria Araújo parecia muito amável, pelo menos tentava na presença de papai, pois nunca ficara só com ela.

     Eu não gostava de sua maneira de se trajar, era muito moderna para aquele tempo em 1941.

     Naquele tempo, só mulher de vida livre que se trajava daquela maneira.
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Enviado por Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles em 12/09/2006
Reeditado em 26/09/2006
Código do texto: T238523
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Sobre a autora
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 58 anos
152 textos (4029 leituras)
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