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Talia Drink

Dois amigos, Genaro e Reynaldo entram no bar Talia Drink. O dono do estabelecimento, Franco, não é das pessoas mais amigáveis do mundo e hoje não está em seu melhor dia. O garçon do bar resolveu tirar folga por conta e isso sempre o deixa extremamente irritado, já que o atendimento às mesas fica por sua conta. Genaro e Reynaldo vão se sentando à mesa, enquanto conversam. Genaro revela ao amigo que sua esposa está revoltada com ele, por ter descoberta a mentira que ele aplicou durante o Carnaval, quando disse que iria pescar com os amigos.
- Como foi que ela descobriu? - indagou Reynaldo-
- Simples, eu estava podre de bêbado, vestido de baiana e agarrando os peitos de duas mulatas. Tinha que ter um fotógrafo de jornal lá para me fotografar. Saí na capa.
Genaro conta sobre o seu drama, mas sem perder o humor e rindo de sua própria desgraça. Já que estavam num bar, o negócio era beber. Olhou para Franco, que limpava os copos no balcão e o chamou.
- Garçon, por favor...
Franco vai até ele, controlando a irritação. Ele detestava ser confundido com garçons.
- Não sou o garçon. Sou o dono do bar!
Genaro, sem dar muita bola, se justifica rindo.
- Bem, desculpe. Nunca vim em seu bar, não tinha como saber que era o dono...
- Verdade. Se nunca veio em meu bar, não tem como saber que sou o dono. Mas sou. E como eu não ando com uma placa na testa escrita "dono", como poderia saber disso, não?
- É. Você está certo...
- É claro que estou certo! Mas também não tenho uma placa na testa escrita "garçon", tenho?
- Não, claro que não, mas...
- Então por que diabos me chamou de garçon?
- Desculpe, não sabia que era o dono do bar, pensei que fosse garçon. Qual o problema em se achar que é garçon?
- Há muito problema em se achar que é garçon! Garçons são apenas empregados e eu não sou empregado. Eu mando aqui. Além disso, garçons, após servirem as bebidas recebem gorjetas. E eu, como dono do bar, jamais poderia me sujeitar a humilhação de receber uma gorjeta, como se fosse um garçon.
- Quem disse que eu lhe daria uma gorjeta?
- Você me chamou de garçon, isso quer dizer que depois me daria como gorjeta uma nota de baixo valor, amassada e cheirando a mulatas.
- Que papo é esse de meu dinheiro cheirar a mulatas?
- Ora, você mesmo disse que ocupa o seu tempo e a sua boca com peitos de mulatas.
- Ah, e o senhor estava ouvindo a minha conversa?
- Minha mulher ouviu a sua conversa. E ela está longe, viajou ao Paraguai, mas o que quero esclarecer é que meu bar é um lugar decente, diferente das pocilgas que o senho deve estar acostumado a frequentar. Na certa, esses bares onde existem mulatas de peito caído e bunda grande tirando a roupa em cima das mesas...
- De novo as mulatas? Já disse que não gasto meu dinheiro com mulatas e muito menos com garçons.
- Não sou o garçon!!!
- Já sei disso!
- Então, por que diabos me chamou de garçon???
- Olha, não quis ofender, nem lembro se o chamei de garçon...
- Chamou, sim. Ia pedir uma bebida e depois me dar uma gorjeta.
- Já lhe disse que não daria gorjetas. Jamais dei dinheiro para garçons. Ou mulatas. E, hoje, isso seria impossível, pois estou sem um puto tostão no bolso...
- Ah, então como quer beber aqui??
- Ele está pagando
Diz apontando com o queixo para Reynaldo.
- Se ele está pagando, por quê você me chamou. Ele é quem deveria ter feito.
Reynaldo, que até então, estava bobo observando a discussão inútil, resolve intervir.
- Está bem. Vamos parar com isso e vamos beber alguma coisa. Garçon, por favor traga uma bebida...
Franco e Genaro respondem ao mesmo tempo para Reynaldo.
- Eu/ele não sou/é o garçon!!!
- Finalmente vejo que entendeu que não sou o garçon!
- Sim, o senhor é o dono do bar e não precisa ter uma placa na testa para as pessoas saberem disso. Ou precisa?
- Não, não preciso. Vejo que o senhor é uma pessoa perspicaz. É assim que pessoas inteligentes chegam a um acordo. O que vão querer beber?
- O que sugere?
- Um delicioso Talia Drink.
- Nunca ouvi falar...
- Tem uma placa lá fora escrita em letras bem grandes: Talia Drink. Devia ter visto, mandei fazer a placa para as pessoas verem.
- Quando for embora, prometo ver. Mas aceitamos um Talia Drink...
Ele vai até o bar, prepara os drinks e leva até os dois amigos. Em seguida, Reynaldo tira uma nota de um real da da carteira e deposita sobre a bandeja, onde Franco trouxera os drinks. Ele pára um instante, pega a nota com a ponta dos dedos e fica observando-a sem entender.
- O que significa isso??
- É uma gorjeta para o dono do bar.
- Oh, é muita gentileza sua cavalheiro...
Franco põe a nota no bolso e se retira, contente. Até que atender as mesas tinhas suas vantagens.
Márcio Brasil
Enviado por Márcio Brasil em 17/09/2006
Código do texto: T242324

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Sobre o autor
Márcio Brasil
Santiago - Rio Grande do Sul - Brasil
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