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LEMBRANÇAS DO PASSADO - Capítulo IX

CARO(A) LEITOR(A) ESTE CONTO É ESCRITO EM CAPÍTULOS. PARA ENTENDER A HISTÓRIA, SUGIRO QUE LEIA OS OITO CAPÍTULOS ANTERIORES. UM ABRAÇO. MARIA LÚCIA.


     Chegamos ao Rio de Janeiro e ficamos em um hotel até que os móveis chegassem pois vieram de navio e iria demorar muito tempo.

     O meu relacionamento com dona Maria tornou-se mais complicado. Ela achava que eu tinha obrigação de servi-la, mandava-me fazer tudo para ela. Era verdade que estava nos últimos dias de gravidez, mas se aproveitava. Derretia-se toda quando papai colocava o pé dentro do apartamento do hotel.

     - Assim não dá, Oscarzinho! Oscarina vai acabar fazendo eu perder este nenen.

     - Mas o que é isto, Oscarina? Você precisa respeitar as pessoas. - dizia papai quando perdia a paciência.

     - Papai! Ela fala isto é só porque manda eu fazer coisas que ela mesma pode fazer, por exemplo, quando levanta da cama ela pode muito bem calçar os chinelos, mas manda que eu o faça e muitas outras coisas pequenas.

     Papai ficava cada dia mais contrariado com tudo aquilo.

     Um dia resolvi não falar mais nada. Um dia ele teria oportunidade de ver. Resolvi também acatar todas as ordens de dona Maria seja elas quais forem. Isso tudo seguindo, à risca, os conselhos da bonequinha Lili.

     Ficou muito bem desta maneira. Ai ela aproveitou da boa vontade. Cuspia no chão e falava:

     - Oscarina, limpe, agora, imediatamente!

     Eu mui humildemente limpava.

     - Aí, assim que gosto, quando eu mandar fazer uma coisa, fazer caladinha! Você será minha empregadinha, quando a gente mudar não precisarei de contratar empregada. - dona Maria falava e dava gargalhadas.

     Quando papai estava conosco era:

     - Amor, você não está com fome? Oscar, eu me preocupo tanto com esta menina, ela só como quando você está aqui. Coitadinha! Tão mimosinha!...

     Papai ficava feliz e eu ia conversar com a minha bonequinha Lili:

     - Bonequinha, eu já não suporto o fingimento daquela mulher. Se não fosse o papai eu já havia estourado.

     "Você, menina Oscarina, já ouviu falar o ditado: "Quem gosta do santo, por causa dele beija as pedras?" É o que está acontecento. Você ama seu pai não quer vê-lo aborrecido, então você faz tudo que ela quer para não preocupar seu pai, mas tudo isso você terá a sua recompensa, você será muito feliz, porque quem ama os pais terão os seus dias prolongados sobre a face da terra. Agüenta tudo, um dia você vencerá!"
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Enviado por Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles em 18/09/2006
Reeditado em 26/09/2006
Código do texto: T243211
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Sobre a autora
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 58 anos
152 textos (4027 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 05/12/16 00:53)