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CRIANÇA NÃO MENTE

A prova da evolução nós vemos todos os dias.

Vemos crianças nos assombrar com suas respostas e até perguntas que nunca poderíamos imaginar que uma criança de pouco mais de 3 anos pudesse fazer.
Eduardo, o primeiro filho da Valdete, é do tipo de criança que encanta e surpreende a todos por sua capacidade de raciocínio e discernimento e mesmo  por saber questionar.
Criança precoce, Eduardo, bem cedo, começou a assombrar os pais com perguntas que os deixavam cada vez mais encabulados diante de situações às vezes vexatórias em  que ela os colocava.
Era comum a Valdete ficar encabulada diante de situações  e perguntas que Eduardo fazia.
A ingenuidade, a inteligência e o fato de não mentir faz da criança algo de especial. Assim era o Dudu.
Dificilmente a criança mente. Ela apenas fala o que pensa e sente.
Certa feita, sua mãe foi visitar o filho de uma amiga antiga que estudava na capital, que estava de férias na cidade. Como não tinha com quem deixar o filho, levou-o durante a visita  à amiga.
O filho de Guiomar era um tipo tipicamente mestiço. Era alto, musculoso, rosto redondo, cabelos negros, lisos e olhos levemente oblíquos. A boca era grande e os lábios grossos. Os antepassados de Guiomar eram  índios  que habitaram aquela região e o filho herdara praticamente todas as características dos antepassados.
Além das características selvagens, ele tinha uma pele grossa e rugosa. Não existia nenhuma beleza externa no rapaz. Enfim, o rapaz não era o que se poderia chamar de belo mancebo.
Era muito feio.
Quando chegaram, Guiomar apresentou seu filho a amiga. Dudu, depois de olhar atentamente o filho da Guiomar, dirigiu-se a este e disse:

-Puxa! Você é bem feio.

Naquele momento criou-se o maior alvoroço.
A mãe da criança, tentando remediar a grande verdade falada por ela, diz:

-Filho, você quer dizer, que o cabelo dele está feio, né?
Ao que o menino respondeu:
-Não mãe, eu estou dizendo que ele é muito feio mesmo. Esse sujeito é horrível. Não é apenas o cabelo dele que é feio.

Diante daquelas verdades incontestes faladas por uma criança que não sabia mentir, a mãe de Dudu se desculpou e sem mais delongas saiu, enquanto ia repreendendo a criança pelo caminho.

- Filho, nós não podemos falar assim desse jeito das pessoas, temos que ser mais delicados.
Dudu, sem concordar, respondeu:
-Mas, mãe ele é  muito feio mesmo.

Embora não pudesse falar diretamente ao filho que concordava com ele, Valdete apenas sorriu e disse que ele não poderia continuar a falar daquela maneira com as pessoas. Muitas pessoas se sentiam ofendidas e poderiam até perder a amizade dela.
 Dias depois, quando resolveu visitar uma amiga  que não via já há algum tempo,chamou o filho e fez a seguinte recomendação:

- Filho, vou visitar uma amiga, porém  você não poderá falar que ela é feia. Você deverá dizer que ela é linda, muito bonita e simpática. Entendeu?

- Sim, mãe, pode deixar.
Chegaram.
Depois das tagarelices costumeiras, Dudu continuava  parado, olhando e calado. Depois de alguns momentos em que as amigas  conversavam, o menino pediu à mãe  que ela se abaixasse pois queria lhe falar um segredo.
Valdete se encontrava satisfeita. O menino não chegara a emitir suas opiniões sobre a amiga. Havia ficado calado.
Ela aproximou-se do filho, abaixou-se e então o Dudu, sem mais delongas, disse:

- Mãe, eu posso ficar calado?
   



 27/08/06 - VEM





Vanderleis Maia
Enviado por Vanderleis Maia em 20/09/2006
Reeditado em 07/10/2010
Código do texto: T244858
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Sobre o autor
Vanderleis Maia
Imperatriz - Maranhão - Brasil
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Vanderleis Maia