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'Punhal'

(breve conto)

 
... foi o último beijo humilhante que ele lhe ousara dar...

Depois de tanto tempo, depois de tantas cenas humilhantes que a dominavam desde o momento em que o conheceu e foi que tudo deve de ter um fim.

Era um final de inverno, final de uma manhã, de um dia branco com pouca luz, mas com muito cinza. As mãos tremiam porque ele ia voltar novamente e tudo ia se repetir. Não era justo, nem tão pouco suportável, senti-lo tão próximo, tão íntimo, tão torpe.

E esse corpo tão esbelto e ao mesmo tempo pálido e sem vida era o que mais lhe chamava a atenção. Todas as vezes, era preciso que ele a visse vestida somente com um roupão vermelho.
E as cenas humilhantes ali se repetiam.
 
E assim, os passos na porta foram se tornando fortes. Mais fortes que o temor que ela sentia. Mais forte que as dores dos cortes que um punhal poderia causar. Não houve tempo!
                   ....................
Quando ele pensou que ia desfrutar de uma bela imagem feminina ao atravessar a porta, se assustou ao deparar com o punhal prateado encravando em seu peito sob o efeito anestésico de observar pela última vez os delicados botões de sua rosa vermelha... vermelha feito sangue... pálida... infeliz... e pela última vez observada por alguém que ela nunca, sensivelmente, autorizou tocá-la.
Cintia Gus
Enviado por Cintia Gus em 20/09/2006
Reeditado em 20/05/2008
Código do texto: T245129
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Sobre a autora
Cintia Gus
Tupã - São Paulo - Brasil
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Cintia Gus