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Pais, Um Minuto Por Favor!



                                           

 Correndo em direção à porteira, o pequeno João Ninguém ia ao encontro do pai, que se anunciava no tropel do cavalo. A felicidade era expressa em sua face, mas a própria timidez encarregava-se em tingir de vermelho o rostinho daquele ser tão simples e carente de atenção e, que mesmo assim, passava despercebido aos olhos do recepcionado.
            Ao cantar do galo, o menino levantava-se e seguia até o curral. Os pés descalços já  não sentiam os espinhos do difícil  caminho que o levaria até  a cocheira. Qual um vidente ele sabia que, assim que os raios do sol incidissem sobre a cerca de arame farpado, como que em um passe de mágica, o andarilho reapareceria.
            Poucos instantes depois, como imaginara, lá  vinha o homem que o João aguardava. A espera diria era uma espécie de ritual. Embora muitas vezes fosse grande a demora João tinha a  certeza que ele surgiria. E isso, era o que mais importava para ele.
            Após arrear o animal, sem mesmo notar a presença do menino que ali estava, o homem seguia o seu destino. E, na imensidão do horizonte, o pequeno João Ninguém o via desaparecer, sem despedir-se, sem ao menos dizer-lhe um adeus. Só mesmo o silêncio restava como recordação.
            O tempo passou. E, sem que as pessoas notassem, com o  passar do tempo, muitas coisas mudaram: o viajante já  não era mais um homem jovem, e aprendera a observar com mais perspicácia as coisas importantes na vida.
Ao aproximar-se da casa, no regresso de mais uma das suas habituais viagens, notou que algo de estranho estava acontecendo.
Não sabia exatamente o que era, mas podia perceber. Assim que avistou a porteira, e não avistando o menino que sempre o aguardava, sentiu  então, o que estava errado; a falta daquele tão próximo, e ao mesmo tempo distante filho, ele experimentou a  tristeza com uma dor no coração.
Não seguiu até a cocheira, como de costume. Foi direto para casa e, lá chegando,  perguntou   esposa o que acontecera ao pequeno...
– O que aconteceu com o João?
– Ele completou dezoito anos ontem e foi embora dizendo que não esperássemos, pois, não voltará– respondeu-lhe a mulher tentando conter, inutilmente, as lágrimas.
             Sem uma única palavra, foi então que o pai percebeu o grande bem que havia perdido: perdera o melhor da sua vida, PERDERA A INFÂNCIA DE UM FILHO!



Carlos Alberto de Carvalho(carloscarragoza)

Todos os meus trabalhos estão registrados na Biblioteca Nacional-RJ
carlos Carregoza
Enviado por carlos Carregoza em 25/09/2006
Código do texto: T248721
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Sobre o autor
carlos Carregoza
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 53 anos
102 textos (5968 leituras)
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carlos Carregoza