Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

LEMBRANÇAS DO PASSADO - Capítulo X

CARO(A) LEITOR(A), ESTE CONTO É ESCRITO EM CAPÍTULOS, PARA ENTENDER A HISTÓRIA, SUGIRO LER OS NOVE CAPÍTULOS ANTERIORES. UM ABRAÇO. MARIA LÚCIA.


     Chegou o Natal. Para mim era uma das épocas mais tristes do ano. Lembrava-me com mais saudade de tia Júlia. Tudo para mim era muito triste. As músicas, as pessoas se preparando, aquilo tudo me trazia tristeza. Passava a maior parte do dia trancada no quarto conversando com a bonequinha Lili e chorando.

     No dia 24, dona Maria levantou no seu pior dia, gritando comigo, tudo que eu fazia não estava bem feito, estava igual a uma cascavel. Chegou até me dar um empurrão e um tapa.

     - Dona Maria, eu estou agüentando tudo o que a senhora está fazendo, mas bater não, tenha a santa paciência, espere este filho da senhora nascer e crescer para a senhora bater, em mim não, eu não sou sua filha! - me alterei e gritei com ela.

     Quando papai chegou foi aquela ladainha, falava chorando:

     - Oscarina gritou comigo, me disse que eu não era sua mãe!

     - Você fez isso, Oscarina?

     - Pergunte a ela, papai, o motivo pelo qual me levou a fazer isso?

     - E por que foi, Maria?

     - Por nada, Oscar, só porque eu a pedi, humildemente que me ajudasse a arrumar a mala do bebê.

     - Além de sínica é mentirosa, ela me bateu e me empurrou, papai!

     Ela começou a chorar alto e dizer que era mentira minha.

     - Por favor, parem com isso, eu não tolero este tipo de discurssão. - falava papai com a mão na cabeça sem saber, se ficava do meu lado, que pelo que conhecia de mim, sabia que não estava mentindo, ou ficava do lado da esposa prestes a dar à luz.

     Naquele mesmo instante dona Maria começou a sentir dor e papai levou-a para o hospital.

     Papai ficou com ela até à noite e eu fiquei sozinha com minha bonequinha Lili.

     - Bonequinha Lili, se o bebê morrer, eu vou ficar com a culpa. Eu não quero perder meu irmãozinho ou minha irmãzinha.

     "Deixe de ser boba, menina Oscarina, ela sentiu dor foi para ganhar o nenen, não foi uma dor provocada. Foi uma mera coincidência que veio no memento que vocês discutiam."

     A uma hora da manhã fui acordada por papai:

     - Filhinha, acorde, você já tem uma irmãzinha, acorde!

     Acordei meio atordoada, pensando que fosse sonho.

     - Uma irmãzinha? Que bom! Ela está bem? Como se chama?

     - Está tudo bem, Maria e ela estão passando muito bem. Como ela nasceu exatamente à meia noite, se chamará Natalina.

     - Natalina, parecido com o meu nome.

     - É, agora são duas irmãs, Oscarina e Natalina. - dizia papai radiante de felicidade.

     - Agora, filhinha, que você já está com nove anos, compreende mais as coisas eu queria que você se entendesse melhor com Maria. Ela tenta ser tão boa para você, hoje você deve perdoá-la, pois uma mulher quando está prestes a dar à luz fica muito nervosa.

     - Olha, papai, eu nunca queria falar isto para o senhor, mas como já entrou no assunto eu vou falar tudo: Desde as primeiras semanas que o senhor casou-se, que ela me desafia, ela não gosta de mim, tem ciúmes do amor que o senhor me dá. Lá em Belém, tinha ciúmes que eu conversava com Iracema, na sua ausência ela é insuportável e na sua presença é fingida e sínica. Eu só vivo junto com ela porque não tenho outra pessoa para morar, mas se tivesse, papai, eu não estaria morando com ela.

     - Filhinha, eu nunca imaginei tal coisa. Mas eu prometo, filha, assim que ela se recuperar do parto, eu terei uma conversa com ela.

     No outro dia fiquei só o dia todo. Papai ficou no hospital com dona Maria e Natalina.

     Eu estava louca para conhecer minha irmãzinha, mas o regulamento do hospital não permitia a entrada de crianças.
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Enviado por Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles em 25/09/2006
Reeditado em 26/09/2006
Código do texto: T249085
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre a autora
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 58 anos
152 textos (4029 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 08/12/16 12:53)