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LEMBRANÇAS DO PASSADO - Capítulo XVI

CARO(A) LEITOR(A) ESTE CONTO É ESCRITO EM CAPÍTULOS, PARA ENTENDER A HISTÓRIA, SUGIRO QUE FAÇA A LEITURA DOS QUINZE CAPÍTULOS ANTERIORES. UM ABRAÇO. MARIA LÚCIA.


     Com quinze anos, apaixonei-me  novamente, desta vez por Carlos Alberto, filho de um deputado amigo de papai. Carlos Alberto era muito amável, mas não era bonito, pelo menos só eu o achava bonito, pois todos falavam que ele era muito feio e eu sempre dizia: "beleza não põe mesa, o importante é o caráter e não a beleza física, o importante é a beleza interior."

     A beleza interior em que falava era um dom de Carlos Alberto. Ele já tinha dezoito anos e trabalhava na Câmara dos Deputados, já estava mais ou menos encaminhado na vida. Nós estávamos namorando há três meses e tudo ia muito bem. Ele ia em casa todas as noites, meu pai gostava muito dele.

     Numa tarde de domingo, muito bonita, estávamos no Jardim Botânico, um lugar muito bonito.

     - Oscarina, você não acha que já é tempo de pensarmos em uma relação mais séria. Eu estou perdidamente apaixonado por você.

     - Que tipo de relação mais séria que você se refere?

     - Em casamento, é óbvio!

     - Casamento? Carlos Alberto, você não acha que somos muito novos para enfrentar uma vida a dois?

     - Eu sabia que você não gosta de mim...

     - Não é isso, Carlos Alberto, você sabe que estou verdadeiramente apaixonada por você também.

     Pela primeira vez fui beijada. Carlos Alberto foi o meu primeiro namorado. A paixão por João foi uma cabeçada mas não chegou a namoro.

     Naquela mesma semana Carlos Alberto falou com papai:

     - Deputado Oscar, eu quero falar com o senhor.

     - Pois não, meu rapaz, pode falar.

     - Eu, aliás, eu e Oscarina queremos nos casar.

     - Casar? Vocês são muito novos!

     - Nós já conversamos sobre isto, papai, mas nós estamos ligados um ao outro pelo amor, que nos invadiu com toda a força e está nos destruindo, dilacerando nossos corações. - falei fazendo gestos de recitar poesias.

     Todos nós rimos muito.

     - Mas se é assim, pode ser, para quando vocês quiserem, só que eu quero um tempo, Carlos Alberto, para preparar Oscarina materialmente.

     - Tudo bem, Deputado Oscar, eu também preciso de um tempo.

     Combinamos tudo e eu que não tinha muito entusiasmo tempos atrás, já estava muito entusiasmada com tudo.

     Dona Maria se recusou a me ajudar nos preparativos, compras de enxoval, etc. Quem me ajudou, com muita dedicação, foi dona Fátima, a mãe de Cecília.

     Aquele ano todo foi de preparativos. Nos casaríamos no ano seguinte, em 1949.

     Papai nos presenteou com um apartamento em Ipanema. Carlos Alberto foi montando aos poucos com móveis do melhor estilo, pois o apartamento era muito amplo e poderíamos arrumá-lo como planejamos.

     Aquele tempo todo de preparativos eu estava em plena felicidade e harmonia comigo mesma, mas não deixei de lado a minha bonequinha Lili, estava sempre conversando com ela.
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Enviado por Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles em 27/09/2006
Código do texto: T250607
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Sobre a autora
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 58 anos
152 textos (4027 leituras)
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