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ARROZ DE QUE?

Com a proximidade do final de semana prolongado em virtude dos feriados da Semana Santa, resolvemos fazer uma pescaria de ao menos uns tres dias. Serviria para distração e principalmente descanso. 

Depois de muito discutir entre umas e outras ( cachaças e cervejas ), optamos por ir à uma represa recém construída, em virtude do fechamento das comportas de uma hidroelétrica. 

Não era muito distante e havia a probabilidade de estar ainda pouca 
"batida", isso nos animava e tinha alguns já contando a quantidade de peixes e já fazendo lista de distribuição, tanto era a alegria e a dosagem alcólica de cada um. 

Na quinta feira, logo de madrugada, partimos rumo a aventura. Ïamos em 11 pessoas, distribuídas em uma caravan, um opala e uma caminhoneta, a qual levava três pessoas, a cozinha e a tralha de pesca, além do bote no reboque. 

Próximo da represa havia uma cidadezinha e aproveitamos para tomar umas e comprar o que poderia haver esquecido no montar a cozinha. 

Logo na saída da cidade demos de cara com um aclive lamaçento e encalhamos os carros. Tivemos de puxar um a um no braço até vencer a subida. 

Desengatar o bote para tirar a caminhoneta. 

Tudo bem, já era costume passarmos por situações análogas, isso só fazia com que aumenasse a ansiedade. 

Lá chegando, a maioria nem se preocupou em desfazer a bagagem, montar as barracas e organizar a cozinha... cada um pegou sua tralha de pesca, e como crianças, correram desabaladamente para beira da água, apostando quem seria o primeiro a fisgar algum peixe. 

Sobrou pra mim e o Nego,  aprontarmos tudo e iniciarmos o almoço, isso também já era esperado. 

Tudo corria bem, só que os peixes não estavam a fim , como diziam alguns, eles deviam  ter também aproveitado o feriado e viajado para visitar amigos. 

Nós nos revesaríamos  na cozinha, eu, o Nego e o Antenor, que dizia ser ótimo cozinheiro, bom nadador e excelente pescador. 

Ele era oriundo do litoral e contava o tamanho dos peixes que por lá havia pescado. 

Tinha um peixe que só a foto devia pesar uns dez quilos. Coisa de pescador. 

Um dia quando ele foi fazer o arroz, fiquei a observar. 

Ele pegou a panelona e se dirigiu à beira da represa. 

Afastou o aguapé e enfiou a panela n'água e a retirou pela metade de água. 

Colocou no fogo, derramou o arroz, salgou, tampou e deu um tapa no litro. 

Pegou uma chaleira, foi novamente buscar água. Voltou colocou uma dúzia de ovos para cozinhar e deu outro tapa no litro. Pegou um caldeirão, foi outra vez buscar água. Chegando, cortou mais ou menos dois quilos de carne seca, repicou umas tres cebolas, cortou em quatro meia dúzia de tomates, amassou alguns dentes de alho e jogou dentro para cozinhar. 

Deu outro tapa no litro. 

Foi na beira d'água olhou, agachou, lavou o rosto e voltou. 

Outro tapa no litro. 

Destampou todas as vasilhas que estavam no fogo e perguntou se o cardápio estaria a contendo. 

Afirmei que sim, estava razoável...

 e pronto, outro tapa no litro. 

Passados uns 20 minutos, deu outra golada, desligou o gás, tomou outro gole e foi para a barraca..... dormiu até a noite. 

Quando o pessoal chegou para o almoço, beberam mais um pouco e avançaram no rangu. 

Alguns reclamaram, mais muito pouco, pois, o cara quando está com o pé atolado na jaca, nem sente direito o sabor da comida. 

Resumo: os ovos estavam pretos de tanto cozimento, a carne seca estava salgada como bacalhau e o arroz, ah! O arroz, no fundo havia ficado uma espécie de caldo, havia umas coisinhas diferentes... depois me lembrei de onde ele havia tirado a água ... aquilo eram guaruzinhos cozidos... 

Quando o Antenor acordou, perguntei que arroz era aquele, ao que orgulhosamente responde: 

-Arroz à aguapé... gostaram? ??
GDaun
Enviado por GDaun em 02/10/2006
Reeditado em 02/10/2006
Código do texto: T254212

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Sobre o autor
GDaun
Lupércio - São Paulo - Brasil, 72 anos
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