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NOVO DONO

Alceu comprou um pequeno sítio. Há muito, era este um de seus projetos de vida.
Trabalhara a vida inteira, juntara alguns trocados, como dizia ele e, por fim , realizou seu sonho. O sítio.
No início, só ia lá nos fins de semana e nos feriados, pois ainda estava trabalhando na cidade.
Tempo veio em que resolveu todos ou quase todos os seus problemas, se aposentou e foi morar no sítio de uma vez.
Havia lá, um casal de caseiros: "Seu Zé" e dona Felícia.
Gente boa do interior que, por anos, trabalhara para o ex-dono. Pediram ao "seu Alceu" para continuarem lá, pois não tinham para onde ir. Alceu concordou de imediato, pois o casal fôra muito bem referenciado.
Alceu, apesar de sua não pouca idade, era dinâmico e diligente, e com a  ajuda de seu Zé, o sítio conheceu um novo tempo de fartura e de beleza.
A coisa toda corria desta maneira: Dona Flora, mulher de Alceu, cuidava da parte de jardinagem e, não por seu nome, mas pelo trabalho, os jardins do sítio eram encantadores.
Fonte de alegria para os olhos e de vida para os pássaros e insetos; a parte das hortaliças, das frutas e dos animais
ficavam por conta do Alceu e seu Zé; a cozinha e a despensa estavam a cargo de dona Felícia.
E tudo ía correndo na santa paz.
Mas havia duas coisas que não eram do agrado do Alceu: os passarinhos na gaiola que pertenciam a seu Zé e a sua tosse incessante. Seu Zé, embora tossisse baixo, fazia-o o dia inteiro.
Alceu nunca gostou de passarinhos na gaiola, ainda mais agora no sítio, com tanto espaço para os passarinhos ficarem livres.
Do seu Zé, ele tinha pena, pois era um homem bom,honesto e  trabalhador incansável, mas não parava de tossir. Quanto aos seus passarinhos, não queria entristecê-lo.
Uma noite, como já se tornara costume,  sentou-se na cadeira de balanço no varandão do sítio para descansar e pensar num modo de resolver estes dois problemas. E, lá pelas tantas, foi para cama com a provável solução.
Pela manhã, bem cedo, quando todos estavam na cozinha para o café, Alceu perguntou a seu Zé: "Seu Zé o senhor acredita em sonhos?"
- Seu Zé respondeu: "Acredito! Os sonhos às vezes nos revelam "coisas".
- Pois saiba seu Zé que eu sonhei que se o senhor soltar os seus passarinhos que estão presos na gaiola, esta sua tosse vai se soltar do senhor também. Acredita?
Seu Zé custou a responder. Afinal soltar seus passarinhos era um pouco demais.
Mas, talvez advinhando que o patrão não gostasse dos pássaros presos, soltou-os. Contudo, com um aperto danado no coração.
Passou-se um mes e, por incrível que pareça, a tosse de seu Zé quase já não chamava a atenção.
Alceu ficou desconfiado de que qlguma coisa estranha acontecera. Haja vista que ele tencionava resolver a tosse de seu Zé, levando-o a uma consulta médica.
E ficou pensando:"Será que foi auto sugestão que o curou?" Acontece!
Um dia Alceu foi à cidade com seu Zé e expôs ao médico especialista no assunto, tudo o que acontecera.
E o doutor teceu algumas considerações interessantes: Pode até ser que a auto sugestão tenha ajudado bastante, mas não seria o suficiente. Mas, há que se registrar que seu Zé tratava dos pássaros todos os dias, pela manhã, quando sua tosse se tornava mais intensa. Pode ser que os alimentos dos pássaros como o alpiste, sementes diversas e outros, causassem alergia. Pode ser também que com a limpeza das gaiolas - os escrementos e penas dos pássaros também poderiam causar alergia respiratória. Ora, todos estes elementos associados poderiam causar esta tosse constante.
Cessando a causa, cessa o efeito. Agora é só tomar alguns medicamentos que eu vou receitar e esta tosse vai embora de uma vez por todas.
De volta ao sítio, à noite, na cadeira de balanço do varandão, Alceu pensou: "atirei no que ví e acertei no que não ví". Seu Zé está curado. Graças a Deus!
E continuou pensando:"E se todos nós abríssemos as portas do coração e deixássemos ir embora as mágoas, os ressentimentos, os ódios, as invejas, as lembranças tristes do passado?" Estas coisas que causam tantas alergias ao espírito. Quantas doenças seriam curadas e como seriam muito melhores as nossas vidas. É isso aí! Bem, é tarde, vamos dormir e sonhar de verdade, pois um dia chegaremos lá. Boa noite!













FARNEY MARTINS
Enviado por FARNEY MARTINS em 03/10/2006
Código do texto: T255402

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Sobre o autor
FARNEY MARTINS
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 77 anos
66 textos (7074 leituras)
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