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Vivências

O dia amanhecera limpo e azul. Sandra olha-se ao espelho; está com um aspecto horrível!
Não pregara olho em toda a noite. Acordou com olheiras profundas. Carlos, seu namorado acabara a relação com toda a frontalidade pedindo-lhe um tempo. Acusava-a de ter falta de tempo e espaço, e, sobretudo, os ciúmes doentios dela.
São momentos agonizantes, depois de dois anos de entrega e convívio diário. Tudo é tão irreal! Ela não conseguia viver sem o amor dele. O amor que nutre por ele induzia-a a fazer mudanças, a tentar ser mais confiante. É absorvida por esses pensamentos que se dirige para o emprego. Gosta muito do que faz: é secretária!

Quando entra no gabinete, já um pouco atrasada, encontra um bilhetinho com uma mensagem, que já se vem a tornar um hábito. Vai ser uma questão de tempo. O seu olhar torna-se misterioso e o seu semblante entristece, quando a sua chefe lhe perguntou a razão de tamanha tristeza.Com o coração nas mãos, conta-lhe toda a história. Enquanto lhe falava, ela notou-lhe um brilho nos olhos, como se fosse um alívio.
Os dias correm normalmente, até que é surpreendida por um convite da chefe. A Sandra está incrivelmente bela e sedutora. Quando chega ao restaurante, as duas mulheres abraçam-se. Escolheram uma mesa num recanto mais silencioso. O jantar decorre num ambiente muito agradável.
No fim do jantar, vão para casa da Isabel tomar o café e o digestivo. A sala está à média luz, a música ambiente é ténue e envolvente.
Sandra está serena e feliz. Aproximando-se vagarosamente dos lábios da chefe, Sandra diz-lhe:
- Qualquer dia conto-te tudo sobre mim , a minha vida, os meus amores, as minhas maldades; - jurou ela, fixando-a intensamente.
Eram duas da manhã e não conseguia adormecer. Não parava de pensar: a chave do mistério era aquela! Ela estava convencida de que era a sua chefe a autora das mensagens e das rosas.

Passados alguns dias, Isabel volta a convidá-la para sair e naquela noite, apeteceu-lhe dançar.
Então foram para uma discoteca e quando entrou, olha à sua volta e fica admirada. Começaram a dançar. Ambas vendiam sensualidade. Durante o “slow”, todo o erotismo vem ao de cima, pareciam sereias a sair da água. E, de repente, ambas ficam envolvidas por uma aura de magia, entregando-se ao jogo da sedução que nasceu inexplicavelmente entre elas. As mãos deslizam, os olhares cruzam-se e as bocas, finalmente, encontram-se num leve beijo.

Em casa da chefe, na cama, ela deixa-se guiar e descobre novas sensações. Fascinada com tanta doçura e ternura, que aqueles momentos lhe proporcionam, Sandra deixa-se embalar, e, pensando que amor com amor se paga, retribui-lhe na mesma moeda.

Desde aquele dia que passam muitas horas juntas, Sandra sente-se cada vez mais sufocada e resolve ter uma conversa corajosa com Isabel. Diz que a história entre as duas não tem futuro, que gosta muito dela , que lhe deseja toda a felicidade do mundo com alguém que a possa fazer feliz, mas que ela não a ama realmente e por isso não quer iludi-la ou suscitar-lhe falsas expectativas, apesar de ter gostado da experiência. Mesmo assim, para não deixar a chefe destroçada, pede-lhe uns dias de férias e parte em viagem.

Já estava no seu assento, dentro da cabina do avião, quando alguém vem sentar-se ao seu lado.
Olhando de soslaio, vê que é um homem e sorri, pensando mentalmente: “Já tenho companhia para as minhas férias!”


“Aprendamos a respeitar as opções das pessoas “


 

Isa Castro
Enviado por Isa Castro em 08/10/2006
Código do texto: T259297
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Sobre a autora
Isa Castro
Portugal
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