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UM ANIMAL INTELIGENTE (conto premiado)

Logo pela manhã, o Snoopy saltitava alegremente, quase todos os dias,  para a viatura do seu dono, mal este abria  a porta. Já era um hábito acompanhá-lo. Para ele, era um prazer circular por essas estradas, montes, vales, cidades e  aldeias...
  De  focinho  ao  vento,  parecia beber o ar... De vez em quando, olhava meigamente, como se quisesse falar-nos ou fazer alguma carícia. Era um grande observador, sobretudo, um animal muito inteligente.
 Na pequena aldeia, quando por vezes, se apanhava em liberdade, fugia em procura da sua menina Milena, a grande amiga, que repartia os doces com ele. Porque era também muito guloso.. Conhecia  todos  os caminhos, voltava sempre a casa, até‚ mesmo quando, visitava as “namoradas”, porque era também muito “namoradeiro”.
        Num dia em que procurou a sua dona, no consultório do seu médico de família, o Snoopy, escapando-se de casa, saltou-lhe ao caminho, como que pressentisse que algo iria acontecer.
        Na verdade, nessa tarde,  numa  rua  deserta,  por onde passaram, foi  a companheira assaltada dum ligeiro desmaio e caiu num sítio, onde não aparecia "viva alma"... O animal correu em direção ao fundo da artéria e ladrava aflitivamente, a um homem que surgiu, uns minutos após a queda trágica, tentando levá -lo ao sítio, onde estava a vitima caída...
       Mais tarde,  quando a Milena  soube que a  mãe estava no hospital, chorou tristemente e o Snoopy, observador de todo o cenário, saltou-lhe para o colo e lambia-lhes as  faces rosadas por onde rolavam as lágrimas, teimosamente... numa carícia.
         - Meu querido Snoopy, como és nosso amigo! - dizia-lhe.
  Parecia compreender, a nuvem sombria que lhe pairava na alma!  Quando vinha a hora do almoço, lá  ia o Snoopy  ao trabalho do avozinho, levar a cesta  com a comida... e ai de quem tentasse tirá-la!
         - Bom dia, Snoopy! Que trazes hoje?- diziam-lhe à chegada os trabalhadores.
        E o animal, abanando a cauda,  parecia dizer-lhe :
"Vamos abre a cesta e reparte comigo!"

Ele sabia que havia sempre um ossinho para roer ou uma polpinha, nos restos da refeição, porque o "velhote" era mau de comer.
      Mas ainda não vos referi, a história mais engraçada do Snoopy, entre as muitas lembranças que nos deixou.
       Geralmente,  acompanhava  o dono,  nas  suas viagens de rotina. No trabalho deste, percorria diversas cidades que o pequeno Snoopy também conhecia. Certo dia, escapou-se da viatura, numa pequena aldeia a 80 quilómetros de casa, sem que o dono se tivesse apercebido. Era  hábito, ele entrar para o carro, antes do dono.  Outras vezes, ficava sossegado a dormir. Mas este, distraído com o excesso de trabalho, já cansado, regressou a casa... sem se aperceber que deixara o animal.
    Quando se sentou à mesa para jantar, a mulher lembrando-se do animal pergunta-lhe:
      - Então o Snoopy não foi hoje contigo?  Nesse instante, o dono aflito, murmura:
    - Valha-meDeus! Querem ver... que ele ficou, nalguma terra que visitei? Mas onde? Nunca me aconteceu uma coisa destas!
    Então, já  nem quis comer...  o jantar ficou na mesa... Imediatamente, pôs o carro em marcha e foram todos procurar o cão.
Por  todos  os sítios,  onde havia entrado a visitar os clientes, não o encontrava...
        Era já  noite!... Por fim, numa rua onde havia estacionado a viatura, nesse mesmo local, embora a visibilidade não fosse muita, pôde ver, ao fundo da rua, dois olhos muito brilhantes  e risonhos e de cauda a abanar, o Snoopy que saudava os donos com alegria, como que a dizer-lhes:
            - Eu estou aqui a esperá-los, meus amigos!
      Pelo rosto do dono, rolaram lágrimas de consolo e alívio!....
           E regressaram felizes... Há  animais que valem um tesouro!
          Existem na verdade animais muito inteligentes e grandes amigos do homem.
É bem certo, este ditado popular: “ quanto mais conheço os homens... mais gosto dos animais!”
                                                                                     Maria José Fraqueza - Portugal
zezinha
Enviado por zezinha em 08/10/2006
Código do texto: T259318
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Sobre a autora
zezinha
Portugal, 80 anos
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