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Nas pequenas cidades é comum as igrejas católicas fazerem festas, as denominadas quermesses, para angariar fundos para manutenção dos serviços da Paróquia. 

Na minha cidade não era diferente e então tínhamos a festa do padroeiro em julho e a de São Sebastião em janeiro. 

Não sei porque, a festa de São Sebastião sempre tinha maior número de prendas e afluência de público, que evidentemente rendia mais numerário aos cofres santos.( se é que santo precise de dinheiro ). 

Me lembro que eram anunciados os festeiros ( a comissão de pessoas que realizaria a próxima festa) na missa do dia do referido santo. 

Alguns não compareciam para não aceitarem o encargo de trabalhar nesse sentido. 

De certa feita foram nomeados só jovens solteiros, talvez em função da maior disponibilidade de tempo dos rapazes, vigor físico, determinação e desembaraço, depois ficamos sabendo que fomos escolhidos porque fazíamos muitas críticas. 

É o que dá falar demais. 

Um mês antes da data da festa preparamos os reclames, hoje se diz cartaz, organizamos as equipes e determinamos o roteiro a ser percorrido, nos esmeramos em não deixar de "sangrar" ninguém e principalmente após o pedido mesmo que a pessoa não contribuísse, convida-lá para comparecer e levar a familia. 

Nós queríamos além de uma boa renda, se possível superar as anteriores, também deixar a Igreja Matriz repleta de fiéis. 

Queríamos provar à comunidade, que mesmo jovens e críticos, erámos organizados e trabalhadores, enfim, responsáveis. 

Cada equipe de "pedinte"saia com uma lista de prendas e sempre procurávamos primeiro as pessoas de maiores posses, sempre se abria a lista com um garrote, um bezerro, um cheque gordo. 

Nem pensar em abrir uma lista com l lata de óleo, l k. de sal ou um pacote de bolacha, seria um sacrile'gio e por tradição, uma lista assim aberta não iria evoluir em número e nem em quantidade de doações. 

A festa foi um sucesso! Tivemos a maior arrecadação de todos os tempos. 

No dia da missa, a nave estava repleta , tinha gente até fora da Igreja.
O bispo veio prestigiar ( ou policiar) a nossa atuação e ficou alegre, até nos cumprimentou. 

Além de gêneros de todas espécies ( arroz, feijão, café, fubá, mandioca, milho pipoca, amendoim, óleo, açucar, carne, etc.) angariamos l6 cabeças de gado, 30 leitoas e 250 frangos, além de duas cabras e um carneiro. 

O que me lembra mais é de um burrinho doado por um humilde sitiante. 

No leilão o burrinho  foi arrematado por bom preço. 

No ano seguinte lá estava o burrinho de novo.
 
Da última vez que o vi no leilão, valiam mais as vigotas em seu pescoço que o próprio burro. 

Era um tremendo varador de cercas!



GDaun
Enviado por GDaun em 10/10/2006
Código do texto: T260633

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Sobre o autor
GDaun
Lupércio - São Paulo - Brasil, 72 anos
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