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O AMOR E A LUA

O AMOR E A LUA
 Marcial Salaverry
 
Desde tempos imemoriais sempre atribuímos à luz do luar efeitos terríveis sobre corações enamorados.
Edivaldo também achava assim. Seu grande sonho seria viver um intenso amor em contato direto com a Natureza, e sob a luz do luar.
Rapaz excessivamente tímido, não via como concretizar esse desejo, pois não tinha coragem sequer de pedir uma garota em namoro, que dizer então convites mais ousados.
Ainda mais em São João da Mata, cidade pequena em que todos se conheciam. E sua timidez era motivo de piadas entre as meninas da cidade, que lamentavam que aquele rapagão tão bonito não tivesse coragem para se declarar a nenhuma delas.
Todavia, a situação estava para mudar, pois Laudelina, que fora enviada por seus pais para estudar na Capital, estava novamente na cidade. Havia voltado com um certo “lustro” adquirido na vida em um centro mais adiantado, e principiava a sentir-se entediada com a vida modorrenta de São João, principalmente no tocante a namoros. Julgava os rapazes locais muito atrasados para namora-la.
De repente, cruzou com Edivaldo, e sentiu uma certa atração por ele, ainda mais quando notou que ele baixava os olhos quando ela o olhava com mais insistência. Interessou-se ainda mais quando lhe falaram de sua timidez, e que ele jamais namorara alguém.
Decidiu que seria ela quem iria “tirar a virgindade” do rapaz.
Aproveitaria o famoso Baile de São João para conseguir seu intento.
Decidiu usar todo seu poder de sedução, e a idéia a deixava mais excitada ainda.
Durante o baile, como Edivaldo ficava quieto em seu canto, foi até ele, e o tirou para dançar, já causando uma certa sensação. Sua ousadia foi atribuída aos anos vividos na Capital.
Edivaldo, faces afogueadas pela emoção de estar tão junto da menina mais desejada da cidade, mal conseguia mexer com os pés, que dizer dançar. Laudelina então, sugeriu que fossem passear lá fora, para aproveitar o luar, e antes mesmo que ele respondesse, o foi conduzindo para fora do salão, e de repente estavam caminhando pelo campo.
Ambos estavam com a adrenalina no ponto máximo, e a garota ao notar o grau de excitação do rapaz, levou-o para um recanto mais isolado, e começou a beija-lo, despertando todos os instintos adormecidos dele.
A noite de lua cheia ativou mais ainda o desejo de ambos, e viveram intensamente o amor que ambos desejavam. Edivaldo, realizando seu sonho dourado, de viver um amor sob a luz do luar, e Laudelina, por ter conseguido “inicia-lo” no amor.
Bem, a lua fez seu serviço completo, pois o resultado daquela noite apareceu nove meses depois.
E o luar até hoje continua influenciando, pois eles só usam a cama para dormir, preferindo amar-se sempre à luz do luar, que tão felizes os fez naquela primeira noite.

Marcial Salaverry
Enviado por Marcial Salaverry em 25/10/2006
Código do texto: T273385
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Marcial Salaverry
Santos - São Paulo - Brasil, 77 anos
19856 textos (1962722 leituras)
3 áudios (855 audições)
6 e-livros (2134 leituras)
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Marcial Salaverry