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LEMBRANÇAS DO PASSADO - Capítulo XXII

CARO(A)LEITOR(A), ESTE CONTO É ESCRITO EM CAPÍTULOS. PARA ENTENDER A HISTÓRIA, SUGIRO A LEITURA DOS VINTE E UM CAPÍTULOS ANTERIORES. UM ABRAÇO. MARIA LÚCIA.


     Numa tarde de bastante sol, no dia 14 de março de 1965, Carlos Alberto e papai lancharam e partiram para a fazenda. Papai parecia que havia nascido de novo, era tão alegre que parecia ter esquecido tudo de ruim que lhe aconteceu. Carlos Alberto era outro bobo alegre, só sabia fazer graça a sorrir.

     - Até já, madame Carlos Alberto, à noite estarei de volta para saírmos para jantar fora. Aliás, a senhora aceita este humilde convite de um homem troncho de paixão por você, minha rainha adorada?!

     - Claro que aceito, rei dos meus sonhos.

     Este foi o nosso último diálogo...

     Já passavam das oito horas e nada de Carlos Alberto chegar para jantarmos. Comecei a ficar preocupada quando chegou Francisco, o administrador da fazenda com um policial. Eu quase desmaiei quando o vi:

    - O que foi que aconteceu, Francisco?

     - Nada de grave, patroa, só um acidente que aconteceu com Dr. Carlos Alberto e Dr. Oscar, mas está tudo bem...

     - Tudo bem, nada! Por que você treme tanto e está acompanhado por este policial?

     Nisto os meninos ouviram a conversa e foram chegando à sala.

     - Patroa, a senhora precisa ser forte!

     - Não, não é possível, eles morreram, não foi, Francisco? Eles morreram! - gritei com todas as forças que ainda restavam dentro de mim.

     Os meninos começaram a chorar, Francisco não conseguiu me dizer mais nada chorando também.

     - É triste, minha senhora, mas é a senhora que me dará os dados.

     - Não pode ser. Não pode ser, isto é um pesadelo, eu estava cochilando no sofá, é um pesadelo, "seu" guarda, Deus não ia fazer isto comigo. Oh! Deus Todo-Poderoso, dai-me forças.

     Numa curva próxima à fazenda o carro capotou e explodiu...

     Eu gritava desesperada, os empregados da casa já haviam cuidado dos meninos. Corri em meu quarto para falar com minha bonequinha Lili:

     - Bonequinha, minha bonequinha companheirinha, me socorre, não é verdade, eu não fiquei sem papai e sem meu Carlos Alberto, eu não resisto, eu estou sozinha neste mundo...

     Sempre ouvia a bonequinha falar. O curioso que nunca deixou de me chamar de "menina". "Menina Oscarina, você ainda não acostumou com a morte? Deus dá, Deus toma! Você não pode se desesperar tem que ser forte e decidida. Coloque seu fardo em suas costas, saiba que agora és responsável pelos seus filhos e os negócios. Não tenha medo, menina Oscarina, se Deus deu o fardo pesado é porque sabe que você poderá carregá-lo."

     - Não, bonequinha Lili, eu não saberei viver sem Carlos Alberto.

     "Tanto saberá, como viverá. Vamos, levante-se, erga a cabeça. Vamos, seja forte, aja!!!"

     Eu chorava desesperadamente, quando de repente nasceu em mim uma força que jamais pensava possuir.

     Cuidei sozinha de todos os detalhes. Telefonei para Belém avisando Natalina da morte tão trágica de papai e Carlos Alberto.

     Eu sabia que Natalina era ruim e fria como a mãe, mas não pensava que chegava a tal ponto. A resposta dela ao telefone foi chocante:

     - Ah! É? Seu pai morreu? Teve a morte que merecia!

     - Que é isto, Natalina, meu pai não, nosso pai, é seu dever como filha é de vir ao enterro e se não puder vir, pelo menos sinta a sua morte! - eu falava aos prantos.

     - Está bem, Oscarina, talvez um dia eu possa até sentir, mas ainda guardo muita mágoa por ter matado minha mãe.

     Falei mais algumas palavras com ela e desliguei o telefone.





     
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Enviado por Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles em 31/10/2006
Código do texto: T278409
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Sobre a autora
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 58 anos
152 textos (4029 leituras)
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