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LEMBRANÇAS DO PASSADO - Capítulo XXIV

CARO(A) LEITOR(A), ESTE CONTO É ESCRITO EM CAPÍTULOS. PARA ENTERNDER A HISTÓRIA SUGIRO A LEITURA DOS VINTE E TRÊS CAPÍTULOS ANTERIORES. UM ABRAÇO. MARIA LÚCIA.


     O tempo foi passando, comecei a me integrar no mundo dos negócios. Não foi fácil, pensava por muitas vezes vender a fazenda a qualquer preço e enterrar minha cabeça na areia, mas Deus dava-me forças e eu ia em frente.

     A saudade de papai e Carlos Alberto era tanta que doía em meu peito como uma facada. Quanto mais o tempo passava mais sofrida eu ficava, ia me acabando fisicamente.

                     *   *   *

     Há dois anos da morte deles eu recebi uma carta de Natalina que viria morar comigo. No momento estranhei pois não gostava de mim. Mas afinal de contas era minha única irmã e se viria ao meu encontro é porque queria ficar ao meu lado.

     Fui buscá-la na rodoviária no dia e na hora que marcou.

     O ônibus chegou. Natalina estava grávida. Meu susto foi normal, pois não havia mencionado tal fato na carta.

     Abraçou-me fortemente e chorando disse:

     - Mana, você me aceita em sua casa? Minha tia Vitória quando soube de minha gravidez me expulsou de casa...

     - Claro que aceito, mana, vou criar seu filho. É nestas horas que a gente esquece todo o passado e recomeça uma vida nova.

     Quando chegamos em casa ela contou-me tudo.

     - Eu conheci Paulo e me apaixonei. Nada serveria para mim a não ser estar ao seu lado. Apesar de já estar com vinte e quatro anos ainda cai no "conto do vigário". Fui iludida por Paulo, prometendo-me uma vida melhor. Eu tenho tanto remorço por odiar, aliás, ter odiado papai, pois sei se estivesse com você nada disto teria me acontecido. Eu choro de arrependimento, mas agora é tarde, ele morreu e eu nem pude vir em seu enterro. Tia Vitória também tem muita culpa, pois ficava sempre acusando papai pela morte de mamãe e eu fui confundindo a cada dia minha cabeça.

     - Natalina, minha mana, faça de conta que nada aconteceu, eu vou cuidar de você e do bebê.

     Natalina virou outra pessoa, não era mais aquela menina estúpida e ranzinza. Aprendeu fazer toda a contabilidade dos meus negócios e o dinheiro que eu pagava o contador, passei a lhe pagar.
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Enviado por Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles em 01/11/2006
Código do texto: T279300
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Sobre a autora
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 58 anos
152 textos (4029 leituras)
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