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A VACA

Como de costume aos sábados, íamos pescar em rios próximos de nossa cidadezinha. 

Por serem rios pequenos, apescaria se consistia em alguns lambaris, uns chorões e quando a água estava suja ou à noite podia se pegar alguns bagres. A caça era apenas alguma codorna desavisada que passava pela estrada, uma ou outra pombinha e por desventura dele, algum tatú.
Atirávamos apenas para melhorar a refeição, nunca com instinto de apenas matar. 

No caso da pesca tamb;em usávamos iscas e caniço, nada de espinhel, rede ou anzol de galho. 

A intenção era mais espairecer do que caçar ou pescar, talvez nossa consciência já estava a nos alertar quanto a futura extinção das espécies. 

Tempos em que podia pescar e caçar sem culpa, época em que ainda não haviam inventado a taxa de pesca e a cobrança pela carteirinha. 

Um certo dia voltávamos de uma pescaria, já ao escurecer. 

Estávamos em dois jipes, o do diretor da escola e o do meu cunhado. Éramos em oito pessoas, todos já com o pé atolado na jaca, pois, ninguém quase bebia, como dizia minha irmã, apenas comiam com farinha. 

Estradinha de terra, o lusco fusco, quando os faróis não clareiam direito, o teor alcólico embaçando a visão, a poeira levantada pelo vento e tudo o que pode ajudar a atrapalhar, a acrescentar um algo mais para piorar e completar um dia mal sucedido. 

Nada de peixe, nada de caça, muita formiga, falta de isca, falta de tempero no rangu ( o primo Martin, nosso cuca oficial, esqueceu de levar sal para fazer o almoço ) não tinha limão para a caipirinha. 

Quando acaba a manguaça é hora de levantar acampamento. 

Tudo bem, dia perdido. 

Retornando, sabíamos haver sempre gado solto pela estrada, então o cuidado e a atenção devia ser redobrado. 

Naquela época não existiam as cercas ( os denominados corredores ) separando a estrada dos campos de pastegens, era tudo embolado, uma "merdera " como dizia o Seu Zé. 

Ao passarmos por uma propriedade, na qual a estradinha cortava a pastagem, vimos duas reses a correr na frente do jipe, assustadas com o brilho dos faróis e o barulho do velho motor, já cansado e estando desregulado, quando em vez "estourava ". 

Com cuidado, o diretor da escola, desviou das duas "magrelas " e prosseguimos. 

Olhando para trás, não mais vimos o farol do jipe de meu cunhado. 

Preocupados, poderia se uma pane no motor, resolvemos retornar e verificar. 

Ao chegarmos próximo a eles, vimos o jipe parado e algo obstruia a luz dos faróis. 

Ao olhar atentamente e bem próximos, vimos o porque . 

Havia uma vaca sobre o capô do jipe. 

Ao ser interpelado, meu cunhado responde, já com voz pastosa: 

- Pois, é. Vi voces desviarem para a direita e para a esquerda. 

No mesmo local, desviei para a direita e para a esquerda, só que não avisaram a vaca. 

Uma saiu para a esquerda, a outra também. 

Deu nisso aí.

GDaun
Enviado por GDaun em 08/11/2006
Código do texto: T285293

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Sobre o autor
GDaun
Lupércio - São Paulo - Brasil, 72 anos
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