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Convite para jantar



(do meu livro ''Partes da minha vida'' ainda inédito)



 

A noite começa com uma música da Rita Lee, uma dose de vodka.

Peguei uma revista que estava debaixo da mesinha de centro, ela sumiu lá dentro do quarto, nenhum barulho, o gelo estava derretendo no copo já quase pela metade e eu ali parado folheando a noite por começar.

 

A luz do corredor acende, um vulto quase nu aparece provocante, esperava uma mulher vestida para um jantar quase formal e ali está uma maçã pronta pra ser atacada, ou eu...

 

Gosto de formas consciente sensual, provocativa, sem pieguices, mas com aquele veneno que me faz morrer a cada gozo e deixa aquele gosto de quero mais.

Sua roupa era apenas um penhoar aberto de cima abaixo, um sutiã florido meia taça, e algumas gotas de um delicioso perfume.

Descalça coloca seu pé entre minhas pernas e sobe devagar, confesso que esqueci o que ia perguntar, as mãos suavam frio, a fome sumiu, pelo menos uma das fomes a outra aumentou.

 

Gosto do vermelho antes dos dentes e depois da calcinha, os olhos delineados de desejo, as mãos deliciosamente atrevidas, a boca igualmente louca e livre para ir e vir onde quiser, assim é o começo do nosso jantar de sábado à noite.

 

As frutas estavam espalhadas pela mesa, coloridas de um prazer urgente, acariciadores, como se houvessem milhares de olhos piscando, dezenas de vozes convidando-me e uma mulher seminua recostada em uma toalha de mesa amarelo mostarda.

 

Arrastei meus dedos sobre sua testa, desci devagar sobre seu colo, enquanto meu rosto encostava devagar, senti seu hálito, a respiração  ofegante como um prato quente a ser servido.

Suguei devagar seus lábios como se provasse uma taça de vinho tinto, o vermelho aguçava minha imaginação, seus lábios grossos me provocavam mais, e a beijei seguidamente, muitas vezes, mordiscando cada pedaço, cada centímetro e descia lentamente alimentando-me da sua carne, temperado a um vermelho apimentado dos mamilos eriçados apontando a minha não culpa.

 

Fecham-se os olhos, os sentidos já sem nenhum controle, os perfumes misturam-se aos sabores propostos para um jantar a dois, a música repete teimosa, o fôlego desaparece, o apetite está voraz.

 

Roupas saem dos corpos sem nenhuma dificuldade, as frutas estão maduras, mais uma taça de vinho, um beijo, o sabor vem até debaixo da língua inquieta, minha e dela.

Os pratos estão servidos, os nus tomam conta da mesa, espalham-se sabores deliciosos sobre a pele, uma e outra, sou servido, sirvo-me do melhor prato, de todos, experimento e sirvo-lhe, até que uma luz aparece em todos os pontos da sala de jantar, é hora da sobremesa, sirvo-a, lambuzo-a com o melhor dos sabores...

 

O silêncio pára em um pequeno espaço de tempo...

 

A música pára no meio de um tempo qualquer, ela levanta devagar e olhando-me fixo, troca o cd e volta para o corredor semi-escuro e desaparece...





12/11/2006



Caio Lucas
Enviado por Caio Lucas em 12/11/2006
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Sobre o autor
Caio Lucas
São Paulo - São Paulo - Brasil, 68 anos
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