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SÓ DEUS SABE, SE MEREÇO! - Capítulo III

CARO(A) LEITOR(A), ESTE CONTO É ESCRITO EM CAPÍTULOS, PARA ENTENDER MELHOR A HISTÓRIA, SUGIRO LER OS DOIS PRIMEIROS CAPÍTULOS ANTERIORES. UM ABRAÇO. MARIA LÚCIA.


     Mamãe chorou muito, mas não adiantou, vovô nunca mais quis vê-la. No dia que iria embora, dez dias depois do casamento, tampou o rosto ao entrar no avião, porque mamãe estava no aeroporto junto com os outros tios que eram todos já casados e não foram com eles. Vovô vendeu a parte da fábrica de cerveja para meu tio, mas deixou outras lojas em nome dos filhos, as quais duas ficaram para mamãe.
Dizia o advogado que deixou as lojas para mamãe, contrariado, vovó que não deixou ele deserdá-la por completo.

     Ainda me lembro de mamãe chorando, mas sempre dizia:

     -Eu estou chorando de saudade de mamãe e papai e não de arrependimento, porque nunca me arrependi de ter casado com seu pai.

     É mesmo. Eles se amavam muito, brigavam de vez em quando, mas isso é bem normal, casal brigar. Papai era, era não, é muito bonito e mamãe ficava com ciúmes ainda mais que ele é genecologista. Eles viveram muito felizes até a morte de mamãe há quinze anos. Papai ficou desesperado, mas antes de completar seis meses, olha a coincidência, arrumou outra Juliana e se amarraram, nem sei se se casaram, pois nunca perguntei, porque cada um faz da sua vida o que quer, nunca recriminei a atitude de papai se casar tão logo que mamãe morreu. Meus irmãos falaram muito no começo, mas agora já se conformaram. Juliana é ótima! Eu me dou muito bem com ela, sempre que vou ao Rio fico lá mesmo na casa deles, adoro meu irmão Maurício e não tenho nenhum recentimento por ter ocupado o meu lugar de caçula, porque como papai fala, vou ser sempre sua caçulinha e me chama de Helenzinha. Meus outros irmãos, filhos da minha mãe, o Thiago, o mais velho e Armando Júnior, dizem que sou boba, mas não me importo muito com que eles falam.

     Thiago acabou ficando no Rio. Hoje também alto empresário. Armando Júnior seguiu a profissão de de papai, é médico e mora aqui comigo, porque ele diz que não pode me perder de vista, não sei porque ele tem uma superproteção, uma vez fui morar numa cidadezinha do Nordeste e ele foi junto. Há dias que tenho vontade de viajar por aí sem rumo, mas não o faço porque Armandinho ficará louco, sem saber se cuida de mim ou do hospital dele. Porque há anos moramos aqui, ele já se instalou direitinho, já se casou com Fernanda que é filha daqui, seus pais são de famílias tradicionais da cidade e nunca sairam daqui.

     Eu adoro essa cidade e não tenho mais vontade de mudar. Às vezes eu falo em sair uns tempos, mas só a passeio, também já criei raízes aqui, Casei-me também com rapaz daqui, meus filhos nasceram aqui e acho que vou finalizar meus dias aqui também.
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Enviado por Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles em 16/11/2006
Código do texto: T292876
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Sobre a autora
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 58 anos
152 textos (4027 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 04/12/16 20:54)