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O Canto do Mundo

O Canto do Mundo

Foi nada menos do que um astronauta, desses com recordes no espaço, que percebeu primeiro.
Já tinha notado antes, mas nada disse, pois alegariam ser insanidade pelos longos períodos de exílio voluntário, calado, solitário e isolado de todo o mundo. Habitualmente, já precisava atestar sua normalidade mental, provar que era sensato todo o tempo. Sempre o olharam com ‘esguios’ olhares. Em uma última visita, ficou demonstrada a impossibilidade de sincronia nos diálogos com a maioria.Surpreendia-se. Entristecia-se. Guardava para si, assim como outros alguns guardavam mágoas, raivas e rancores, ele guardava a surpresa por dentro- qual grupo muscular mobilizaria psicosomáticamente esta intensa emoção?. Tinha dor nas panturrilhas, provavelmente relacionada aos longos períodos frente ao monitor de sua nave espacial, e este, outro recorde a ser mensurado. Chega de enredo, pois nenhum recorde será nunca considerado seu mesmo; O fato é que ele estava mesmo era curtindo mais um de seus amanheceres, ao dar mais uma volta a Terra e ver surgir, de novo, um novo dia, e tornar a ver o Sol surgir por trás das órbitas.Engraçado era que quantas vezes visse o crepúsculo, algo apertava o seu coração como quando ao lado de seu primeiro amor. Até pensou que estivesse confundindo os mundos de existência ao ver o canto do mundo. Presta atenção, é isso mesmo, como o canto da cama em que estás sentado, em que você se enrola no lençol, se esticando por sobre a cama. Ele até percebeu algumas dobras infinitas, por esse canto, enfiadas para que o infinito estampado de estrelas estivesse bem esticadinho. Sentiu-se um mosquito do início da manhã que circula entre os dorminhocos dos cantos da vida.
Como um detalhe do dia a dia, algo sem cálculos ou intenção esbarrava-se numa grande dúvida nunca explicada pela Engenharia Espacial ou Astronáutica. Na mão dele estava, talvez, um novo paradigma de uma nova era. Seria, então, concluído que após a morte as almas iriam para o Canto do Mundo! Nem Inferno nem Paraíso...Nem Deus! Sua sanidade nunca mais seria considerada, seus projetos engavetados, exclusão social e até cósmica!
Melhor dar uma acelerada sem nada ver...Ou dar uma esticadinha na vida ponderável a ser vivida.
Marise Cardoso Lomba
Enviado por Marise Cardoso Lomba em 30/06/2005
Reeditado em 30/06/2005
Código do texto: T29299
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Sobre a autora
Marise Cardoso Lomba
Resende - Rio de Janeiro - Brasil, 60 anos
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Marise Cardoso Lomba