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A OUTRA

O marido estava à frente da mulher em um restaurante. A cabeça fervia. Oito anos de casamento, dois filhos e ele queria o divórcio. Começara a arrepender-se de traze-la ali. Pensara em tira-la de casa, longe das crianças para ter aquela conversa, mas deu-se conta de que estava em local público. E se ela fizesse uma cena? Na verdade sabia que ela também queria aquilo.

A esposa era uma boa pessoa, mas há tempos que a paixão havia acabado. Eram apenas os pais de seus filhos. discutiam sobre a casa, as contas, as crianças e qualquer intimidade,isso quando havia, era um suplício. Ele necessitava viver novas emoções e não concebia a idéia de traí-la, como via muitos amigos de seus amigos contando vantagem.

Ela era uma mulher bonita, mas estava descuidada da aparência e parecia nem se importar. Estava ficando ranzinza e sempre estava cansada  e com dores de cabeça. Tão diferente da mulher doce e fogosa que conhecera. E eles eram tão jovens ainda.

Ambos mudos. Ele então tem uma visão. Na mesa à sua frente para qual a esposa estava de costas, havia uma mulher loira, linda, exuberante, dessas de realmente chamar a atenção. Tentou voltar a concentrar-se na refeição, mas quando olha novamente, percebeu que a moça olhava em sua direção. Desviou o olhar e tentou encarar a esposa que ainda comia silenciosamente. Voltou-se novamente, e a loira continuava a fixar-lhe o olhar. Observou os lados, às suas costas e não havia muita gente. Seria para ele que ela olhava tão fixamente? Seria para ele? Não era possível. Imagine aquele monumento flertando com ele.

À essa altura a esposa o encarava esperando que ele desse inicio à conversa. Mas ele não conseguia agora raciocinar mais nada. Queria mesmo verificar se a tal loira olhava para ele. Sim! Fixamente. Insinuantemente. Mas que hora! Que lugar e que situação!

Ele teve que se levantar. Seguiu apressado para o banheiro.
Lá dentro somente molhou o rosto e concentrou-se no que viera fazer ali: dar um fim a seu casamento. Quando sai, à entrada do banheiro a loira o esperava. Aproximou-se dele. Assustado olhou em direção a sua mesa tentando ver se a esposa o avistava, mas ela estava de costas para a cena. Mesmo assim pediu licença à moça e voltou para onde estava. E a esposa então perguntou:
"E então para que me trouxe aqui hoje?"
"Para almoçar" disse ele
Ela riu exageradamente, mas quando viu a expressão séria do marido calou-se.
Ele já não avistava mais a mulher loira. Nervoso, pediu a conta e foram embora. A esposa ficou mesmo sem entender.

À noite em casa, não tirava aquele mulherão da cabeça. Deitado ao lado da esposa, fechava os olhos e vislumbrava aquela mulher. Teve um ataque febril súbito, uma vontade tensa de tê-la ao seu lado. Mas ali somente estava a esposa, a mulher com quem se deitava a oito anos. E foi com ela que deu vazão a seus anseios. Fechava os olhos e imaginava a loira e colocava para fora suas vontades.

Na manhã seguinte, apenas viu a mulher com um sorriso dizendo que ia às compras e logo pensou " De volta à realidade". "Que covarde, por mais uma vez adiara aquilo que queria fazer".
Quando voltou para casa de noite depois do trabalho, não encontrou as crianças em casa. No quarto, a esposa. Completamente transformada! Cabelos soltos, escovados, batom vermelho e uma lingerie estonteante. Ela estava linda! E antes que ele dissesse qualquer coisa ela jogou- se para ele e o beijou avidamente. Logo estavam amando-se com loucura. Depois deitado, um ao lado do outro, ela disse ao marido:
" Amor, achei que nosso casamento tinha acabado. Mas a sua delicadeza de me levar para jantar fora ontem e depois quando me amou daquele jeito, me senti amulher mais amada do mundo."

Nessa altura ele nem lembrava mais da loira. Da sensação que ela causara ou qualquer outra coisa que não fosse aquele momento ao lado de sua mulher.
E foi assim dali por diante. A mulher se produzia , o marido estimulado fazia-lhe as honras, ela sentindo -se cada vez mais feliz, ainda melhorava. E ninguém mais pensou em divórcio.
Acabaram de ler uma história real, vestida de conto, já que afinal não é todos os dias que vê-se mulheres fatais salvando casamentos e que traz como lição que pequenos gestos, podem realizar grandes mudanças na vida.
Regina Gonçalves
Enviado por Regina Gonçalves em 16/11/2006
Reeditado em 18/11/2006
Código do texto: T293028

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Sobre a autora
Regina Gonçalves
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 33 anos
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Regina Gonçalves