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SÓ DEUS SABE, SE MEREÇO! - Capítulo V

CARO(A) LEITOR(A), ESTE CONTO É ESCRITO EM CAPÍTULOS. PARA ENTENDER MELHOR A HISTÓRIA SUGIRO QUE LEIA OS QUATROS CAPÍTULOS ANTERIORES. UM ABRAÇO. MARIA LÚCIA.


     Quando criança eu estudei em um dos melhores colégios do Rio de Janeiro. Era tão bom! Aprendi muito, aprendi tudo que sei, nesse colégio. Como eu sou a caçula, meu pai, minha mãe e meus irmãos sempre tiveram muito cuidado comigo. Sempre levavam-me ao colégio, buscavam. Papai nunca foi aqueles pais ranzinzas, sempre deixava eu ir ao cinema com as amigas, à praia, ao parque de diversões. Mamãe que não gostava muito disso. Um dia num desses passeios, isso eu tinha treze anos, conheci um gatinho. Nos encontramos no parque de diversões. Logo que o vi fiquei fascinada. Era bonito demais, como assim eu nunca vi. Nem Carlos é bonito igual a ele. Eles dois são lindos, mas têm belezas diferentes. Parece que ele gostou de mim à primeira vista também, ficou me olhando, mas não se aproximava, eu por minha vez ficava quieta, mas também seguindo-o com os olhos. Teve um certo momento que ele teve coragem e se aproximou com um saquinho de pipocas na mão:

     - Aceita pipoca?

     - Não, obrigada, eu não gosto de pipoca.

     - Não gosta de pipoca?

     - Não. Não gosto de pipoca!

     - Agora eu já sei alguma coisa sobre você. Já sei que você não gosta de pipoca.

      - E eu também sei alguma coisa sobre você: sei que você gosta de pipoca. - falei.

     - Se enganou. - falou ele muito seguro.

     - Me enganei por quê?

     - Porque eu também não gosto de pipoca. - falou sorrindo.

     - Então, pra que você está com esse saquinho na mão? - perguntei.

     - Só para ter pretexto para falar com você. Você é linda!

     - Obrigada, o mesmo eu digo pra você. - falei envergonhada, pois era a primeira vez que falava assim com um rapaz.

     Ele era bem novinho, mas tinha um rosto sério. Tinha dezoito anos naquela época, mas era muito responsável. Trabalhava numa fábrica. Mais tarde descobrimos que trabalhava na fábrica de cerveja de tio Ricardo. Toda vida eu fui muito xereta, no colégio, participava de tudo, de toda comemoração, fazia parte do teatro do colégio e fazia apresentações pelo interior, eu era, era não, sou muito desinibida e fazia questão de estar à frente de tudo, mas em matéria de amor, eu estava crua, sem saber de nada, nem por onde começar. Todas as minhas amigas já tinham namorados e eu não namorava só por namorar, sempre dizia que quando começasse a namorar, seria pra valer e parece que estava adivinhando. Apaixoonei-me por Edilson pra valer, entrei nessa paixão de cabeça e tive momentos inesquecíveis de alegria e também de muita tristeza.

     Às vezes me perco a pensar: Como aconteceram tantas coisas que a gente não sabe de onde vêm, nem para onde vai, mas uma coisa é certa, cada um tem seu destino traçado e o que vem para você passar eu jamais te roubarei.

     - Porque eu também não gosto de pipoca. - falou sorrindo.
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Enviado por Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles em 17/11/2006
Código do texto: T293698
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Sobre a autora
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 58 anos
152 textos (4029 leituras)
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