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SÓ DEUS SABE, SE MEREÇO! Capítulo VI

CARO(A) LEITOR(A), ESTE CONTO É ESCRITO EM CAPÍTULOS. PARA ENTENDER MELHOR A HISTÓRIA, SUGIRO A LEITURA DOS CINCO CAPÍTULOS ANTERIORES. UM ABRAÇO. MARIA LÚCIA.


     Naquele dia, no parque de diversões, estava começando uma nova fase na minha vida, ali, naquele momento estava se passando uma nova página do livro da minha existência. Edilson entrou em ação. Conversamos muito, rimos muito porque sempre fui alegre, gosto muito de sorrir e nada me faz ficar triste, mesmo nos piores problemas consigo sorrir, acho que é isso que me segura de pé, porque as pessoas acham que não tenho sentimentos, mas eu sinto tudo, só que a minha maneira de superar as coisas é diferente, por isso que eles falam que sou louca, mas loucos são eles, não fique com medo de mim. Eles falam isso é porque não conseguem ser iguais a mim, mas eu finjo que não escuto e deixo pra lá.

     Naquele dia, a Isabel, minha amiga foi embora sozinha e Edilson me levou em casa.

     - Mas você mora aqui nessa casa? - perguntou ele meio espantado.

     - É, é aqui que eu moro.

     - Mas... você é filha de alguma empregada, não é?

     - Não, sou filha do dono da casa, por quê?

     - Porque você é tão simples, não parece ser tão rica.

     - Aí que está o engano das pessoas, valer pelo que parecem, pelas aparências. Como você está vendo, pela minha casa, meus pais são muito ricos, mas minhas amigas são todas pobres, não gosto das meninas aqui do bairro, gosto de gente mais simples, parecem ser muito mais felizes.

     - Te admiro, garota. Sou seu fã. - falou pegando em minha mão e foi se embora, sem me dizer onde morava. Pensei que nunca mais iria vê-lo.

                      *   *   *

     O tempo foi passando. Sempre andava olhando as pessoas para ver se localizava Edilson, mas seria muito difícil encontrar com ele naquela cidade grande.

     O nosso grupo de teatro foi fazer umas apresentações na cidade de Três Rios e ficamos por lá uns três dias. Quando cheguei em casa mamãe me disse:

     - Helen, um garoto telefonou para você, desde o dia que você viajou.

     - Ah! Quem é? Será que é o Edilson?

     - Não sei, ele não me disse o nome, sempre que perguntava se queria deixar recado ele dizia que não. Mas quem é esse Edilson?

     - É aquele rapaz, que eu falei pra você, aquele do parque de diversões.

     - Ah! Coisa de criança, isso já deve ter uns três meses, não é?

     - É. Isso mesmo, tem uns três meses mesmo, mas parece que é amor mesmo porque eu não o esqueci.

     - Olha lá, hen Helen! Você é muito nova ainda para namorar, namoro sempre prejudica os estudos.

     - Os da senhora prejudicou? - falei mansamente.

     - Prejudicou. A gente fica com a cabeça fraça, só pensa no namoro e deixa os estudos em segundo plano.

     - Mas a senhora quando fez faculdade já era casada, não era?

     - Era sim, mas foi muito difícil, é muito difícil conciliar estudo com trabalho e casa. Aproveite seu tempo, bem tranqüila sem nada para atrapalhar.

     Nesse momento o telefone tocou. Eu corri para atender. O coração estava para pular boca afora.

     - Alô?

     - Alô, Helen, é você?

     - Sim, sou eu, quem está falando? - perguntei só para não dar o braço a torcer, pois sabia que era ele, aquela voz linda que nunca esqueci.

     - Edilson. Eu queria muito falar com você.

     - Ah! Edilson, hoje eu não posso. - fazendo "aquilo" doce.

     - Eu espero! O quanto for preciso. - falou decidido.

    - Está bem, deixa o seu telefone, depois eu te ligo. - falei tremendo.

     - Eu não tenho telefone. Estou ligando do telefone público.

     - Ah! É? Então faz o seguinte: amanhã você me liga nesse mesmo horário que a gente marca um encontro, está bem? - falei tentando desfarçar o tremor na fala.

     - Está bem. Então amanhã eu ligo, tchau, linda!

     - Tchau, até amanhã.

     Depois que desliguei o telefone falei: "Tchau, amor, um beijo!" Fui para o meu quarto arrependida, já pensou se ele não ligar mais, eu sou uma burra, pra que fazer isso? Só para fingir que não estava a fim?

     Naquela noite não dormi. Rolei na cama a noite inteira, só lembrando dele.

     No outro dia, levantei-me, fui para o colégio e aí começou a atrapalhar o estudo, naquele dia não aprendi nada, estava no "mundo da lua". Depois que fui embora, esperei aquele telefone tocar com ansiedade, mais ou menos as quatro horas ele iria telefonar.

     Aquelas horas pareciam que eram três dias. Passou-se as quatro horas e eu pensei que ele não iria mais ligar. Comecei a me arrepender da besteira que havia cometido. Já tinha desistido, já eram cinco e meia. Fui para o meu quarto. Não chorei, pois não chorava à toa, nem hoje quase não choro.

     Deitei e dormi, pois estava muito cansada. Acordei com Vera me chamando. Vera era a secretária de mamãe.

     - Helenzinha, telefone para você.

     Acordei assustada e saí correndo, desci as escadas com muita pressa que cai e quebrei meu pé.

     - Alô? - falei com a voz abafada de dor.

     - Alô, linda! Você estava correndo? Está com a voz cansada?

     - Não é porque eu caí na escada e torci meu pé.

     - Desculpe-me por não ter ligado mais cedo, é porque não pude sair da fábrica mais cedo.

     - Não tem problema, já havia até esquecido. - fiz doce de novo.

     - Parece que você não gostou muito de eu ter ligado?

     - Não, não é isso não, Edilson, é porque eu estou com muita dor no pé. Faz assim, dá pra você vir aqui em casa amanhã?

     - Dá sim. Que hora?

     - À tarde, lá pelas três horas, amanhã é sábado, você não trabalha, não é? - falei abafando a voz de tanta dor que estava sentindo.

     - É sim, então até amanhã, linda!

     - Até amanhã...

     Nem pude curtir aquele momento de emoção por causa da dor no pé, que já estava inchado.

     Mamãe levou-me ao hospital e constatou, com a radiografia, que havia quebrado.

    No outro dia esperei ansiosa as três horas.

    Fui para o jardim esperar por ele. Na hora marcada ele chegou, lindo como sempre. Conversamos muito, sentados em um banco no jardim. Os passarinhos fazendo algazarra perto de nós numa árvore, tornava mais feliz aquele encontro. Perguntei a ele como encontrou meu telefone e ele me disse que procurou pelo endereço na lista telefônica.

    Desse dia em diante, ele começou freqüentar minha casa nos finais de semana e sentávamos no mesmo banquinho no jardim. Papai já reformou a casa várias vezes, mas o jardim é o mesmo, imenso, lindo! Até hoje, gosto de me sentar no banco, quando vou ao Rio.
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Enviado por Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles em 17/11/2006
Código do texto: T293829
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Sobre a autora
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 58 anos
152 textos (4029 leituras)
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