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SÓ DEUS SABE, SE MEREÇO! - Capítulo VII

CARO(A) LEITOR(A), ESTE CONTO É ESCRITO EM CAPÍTULOS. PARA ENTENDER A HISTÓRIA, SUGIRO A LEITURA DOS SEIS CAPÍTULOS ANTERIORES. UM ABRAÇO. MARIA LÚCIA.


     - Mamãe, venha, saia desse quarto.

     É Elizabeth. Ela se preocupa muito comigo, têm épocas que eu gosto só de ficar no meu quarto, lendo, escrevendo, dormindo. Não saio nem pra comer, Catarina leva a comida pra mim, às vezes como, às vezes não como. Por isso que as pessoas falam que eu sou louca é porque só faço o que tenho vontade. Geralmente, as pessoas não fazem o que têm vontade pensando nos outros, "será o que o povo vai falr, será o que o povo vai pensar?", eu não, eu não faço nada para prejudicar os outros, então tudo que eu faço é certo. Apesar dos outros não acharem. Eu adoro meus filhos, acho que o maior presente que Deus me deu foram eles. Brinco com eles, de pique-pega, pique-esconde, brincamos de casinha, vou ao clube com eles, entro na piscina deles. Brincando com eles sinto-me como criança e isso intriga certas pessoas que dizem que sou louca. Olha, não se importe com eles não. Loucos são eles. Só porque eu brinco com meus filhos e converso com as plantas e os animais?

     Não trabalho mais, depois do acidente fiquei impossibilitada de trabalhar, mas eu tenho muita saudade daquele tempo e ao mesmo tempo acho bom, porque tenho o tempo todo para dedicar aos meus filhos. Só Elizabeth não me teve muito do lado dela, coitadinha! Viveu sua infância toda com babá, ainda bem que teve sorte, a Gizelda ficou tomando conta dela, quase desde o nascimento até os onze anos. Depois de onze anos ela se casou aí foi viver a sua vida. Elizabeth tem a maior consideração por ela, diz para todo mundo que é a sua segunda mãe e eu acho isso ótimo! Acho que as pessoas têm de agradecer a quem trabalha pra gente. Gizelda casou-se, não trabalha mais pra mim, mas eu lhe pago um salário todo mês como se ela ainda trabalhasse. Foi a maneira que encontrei para agradecê-la o que fez por mim, cuidando tão bem de minha filha, claro que dinheiro nenhum no mundo paga isso, mas é apenas uma ajudinha. Ela mora no Rio e de vez em quando ela vem passar férias aqui com seus dois filhos.

     Como eu estava falando. Ôpa! falando não, escrevendo, eu e Edilson começamos a nos entender, começamos a sair juntos, sempre ia na casa dele, lá em São João do Meriti. Papai sempre brincava comigo, diz que eu gostava de "programa de índio".

     - Helenzinha, tem tanto lugar pra você ir com seu namoradinho e você vai pra casa dele? Que "programa de índio". - falava dando suas gargalhadas.

     - Ah! Eu gosto, papai, lá tem tantos vizinhos dele que gostam tanto de mim. As crianças já correm, porque sabem que eu levo balas e biscoitos para elas.

     - Eu estou brincando, filhinha, sabe que eu te admiro muito por isso? Esse amor seu pelas crianças e velhos pobres mostram que você tem o coração desse tamanho!!! - falava abrindo os braços o mais que podia.

                    *  *  *

     Já tinha seis meses que namorávamos quando ele me deu o primeiro beijo, não é de acreditar, não é? Mas nós éramos tímidos e naquele tempo, o namoro era muito diferente dos tempos modernos. Eu vejo aí como que é. Elizabeth beija o Ismael perto mim. Naquele tempo jamais a gente fazia isso.

     Nosso primeiro beijo foi emocionante! Nós estávamos na Quinta da Boa Vista, num domingo à tarde, sentados à sombra de uma árvore, o tempo estava quente, mas à sombra daquela árvore estava muito bom. Ele me chamava de "linda".

     - Linda, minha linda! Seus lábios cor-de-rosa me fascinam, você é a coisa mais linda que Deus pôs no mundo. Não seria capaz de viver mais sem você. Eu te amo. Você apareceu na minha vida como um presente de Deus. Como eu te amo!...

     - Eu também te amo... - fui interrompida por um beijo, aquele meu primeiro beijo, que jamais esqueci.

     Só tinha uma coisa que nos impedia às vezes, nos distanciava. Nossa situação financeira. Ele era pobre e eu rica. Eu nunca liguei para esse problema, mas ele achava que nós nunca íamos dar certo, mas eu sei o que que era. Era a mãe dele, que vivia pondo "minhoca" na cabeça dele. Falando que se a gente casasse, eu ia humilhá-lo. Eu sei dessas coisas, mas não era assim que eu pensava. Tanto assim que quando me casei com Carlos, ele era pobre e nós nos damos muito bem, e agora é um dos maiores empresários dessa região. Esse negócio da pessoa valer o qeu tem, está muito errado, errado mesmo; a pessoa tem que valer o que é, ser honesta, humilde, gostar da natureza, não maltratar os animais, é isso que vale, não é a conta bancária, nem posição social. Às vezes quando há amor, nada disso interessa, as pessoas vivem felizes mesmo sem dinheiro. Eu gosto muito de analisar as pessoas aqui da minha cidade e vejo que têm mais pobres felizes do que ricos. Graças a Deus eu sou uma rica feliz. Sou muito grata a Deus por Ele ter me concedido as duas coisas. Mas Edilson não pensava assim. A realidade era outra. Acho que ele se empolgou comigo no início e depois viu que não me amava de verdade. Como eu o amei!!! A vida é assim mesmo, as coisas do coração sempre são assim mesmo, a gente sempre apaixona por quem não gosta da gente e vice-versa. Eu não sei, mas eu acho que o amor mais sincero é aquele de mãe para filho, digo de mãe para filho, porque os pais em certas circunstâncias não amam os filhos. Vocês pais que estão lendo, me perdoem, mas a mãe não deixa jamais o filho e têm certos pais que nem os conhecem. Não querem nem saber se existe aquele filho de aventura.
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Enviado por Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles em 17/11/2006
Código do texto: T294009
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Sobre a autora
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 58 anos
152 textos (4027 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 05/12/16 18:41)