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SÓ DEUS SABE, SE MEREÇO! - Capítulo X

CARO(A) LEITOR(A), ESTE CONTO É ESCRITO EM CAPÍTULOS. PARA ENTENDER A HISTÓRIA, SUGIRO LER OS ´NOVE CAPÍTULOS ANTERIORES. UM ABRAÇO. MARIA LÚCIA.


     Toda a vida pensei dessa maneira, gostar de quem gosta da gente. Sai várias vezes para procurá-lo, mas não cheguei a fazê-lo, pois meditava bem e pensava não ser o mais viável.

    No início, mamãe não aceitava muito, eu tão nova, já naquela situação, culpava papai por ser tão liberal, mas papai com seu jeito especial sempre a convencia do contrário. O engraçado é que se tive apoio dos de casa,mas fui severamente recriminada pelo público. Minhas amigas foram se afastando aos poucos, no final, ficou só Angélica, mesmo escondida dos pais, dava-me aquele apoio moral.

    Se te dissesse que não importei com a separação, estaria mentindo, passei por sérios momentos de depressão, sempre que estava sozinha, a saudade doía muito, mas ficou um sentimento, que nem sei como explicar, se foi ódio, se foi pena, só sei que consegui superar em pouco tempo.

                  *   *   *

     Minha gravidez transcorreu normalmente, às vezes bem, às vezes tinha uma recaida, mas passou...

     Mamãe ajudou-me a fazer todo o enxoval. Nessas alturas os estudos ficaram de lado. Papai achou por bem que eu parasse, pelo menos até o bebê nascer e depois continuaria, pois estava muito nova e um ano não me iria fazer tanta falta.

                   *   *   *

     Estava tudo pronto, até o nome estava escolhido, mamãe pediu-me, se fosse menina chamaria Elizabeth, se fosse homem, Pedro, nomes dos meus avós paternos que já haviam falecido. Concordei por ser um pedido de mamãe e outra porque vovó morreu quando eu estava com cinco anos, mas me lembrava muito bem da sua bondade.

                    *   *   *

     O banco do jardim era o meu maior amigo nas horas da solidão e não sei se era impressão minha, mas quando me sentava nele o bebê se mexia mais do que o costume.

     Na manhã de 16 de novembro de 1968, eu estava sentada no banco do jardim, quando senti uma grande dor. Demorei chegar na porta da sala. Gizelda veio ao meu encontro, logo telefonou para papai, que me levou para o hospital e foi logo, antes do meio dia já víamos uma criaturinha pequenina, não sei porque, desde a primeira vista, senti muita peninha de Elizabeth, talvez por não ter o amor do pai. Papai não gosta que falo assim, porque ele diz que o pai dela é ele mesmo. E é verdade, pai não é aquele que fez e sim aquele que criou, que educou e deu tudo o que precisou.
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Enviado por Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles em 21/11/2006
Código do texto: T297277
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Sobre a autora
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 58 anos
152 textos (4027 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 03/12/16 16:10)