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                      A IGREJA 


          Como as pessoas que desconhecem a nossa história, eu me perguntava: por que a Igreja tem a porta principal voltada para a Várzea? Tem-se a impressão que há algo errado. Porque ela não está de frente para a praça, para o comércio, para o paço municipal? Foi então que perguntando ao meu pai, ele me explicou: Brejo Santo nasceu daquele lado. Primeiro a Nascença, onde tudo começou; depois a rua Velha onde esta vam alocados: a Prefeitura, o comércio, a cadeia, praticamente toda a vila, com exceção da Taboqueira onde residia o coronel Basílio e seus familiares. 

         A nossa Igreja tem uma história desde 1864, quando foi demarcado o terreno ofe recido por Francisco Alves de Moura (bisavô do Sr. Mário Leite) para sua construção.
Eu porém, lembro-me dela, já com toda a área construída, apenas com uma parte inacabada, onde se viam os tijolos sem revestimento. A escada de acesso ao coro, era de madeira, o piso de tijolo de adobo e havia uma pequena quantidade de bancos feitos em tariscas de madeira. Como os assentos não eram suficientes, muitos paro quianos possuíam suas próprias cadeiras, semelhantes a genuflexórios. Eram em madeira envernizada, com assentos móveis, em palhinha. Algumas possuíam até almo fadas oferecendo assim maior comodidade aos seus proprietários. 

      O velho relógio que ainda mede o tempo para a cidade, trazia no verso a anotação: Feito por Pelúsio Correia de Macedo para Brejo Santo, sendo vigário o Padre Pedro Inácio Ribeiro – 1936. 

        As andorinhas, que em perfeita simetria ocupavam as torres, estão quase em ex tinsão. São poucas as que continuam realizando a linda coreografia do vôo, ao toque do relógio. Na mesma cadência com que se afastam, retornam, após a última badalada.
O sino que comunica aos fiéis os eventos, tem uma melodia diferente para cada acon tecimento. O compasso diverge, para a chamada da missa, o enterro de adulto ou de anjo (criança). 

        Delimitando o altar do Sagrado Coração de Jesus, estava a mesa da comunhão para os homens. Entre a parte que foi inicialmente a capela e o restante do templo, ha via uma outra mesa de comunhão, para mulheres e crianças, exatamente no local onde estão as colunas mais largas.
Ficavam portanto os homens na parte da frente e as mulheres e crianças na parte de trás. 

        Os altares já eram os mesmos de atualmente, inclusive as imagens. Do altar-mor, o do Sagrado Coração de Jesus, foram retirados dois anjos laterais. Estes ali estavam como se fossem guardiões. Cada um segurava à mão um candelabro de cinco velas.
Foi neste lugar sagrado que tive minha primeira experiência pessoal com Jesus, quan do O recebi no Sacramento da Eucaristia. 

        Este templo faz parte da minha vida desde sempre. Tenho por ele um amor inexplicável. Nasci ao seu lado, cresci, convivendo com ele e juntos partilhamos as alegrias das festas do Padroeiro e de Santa Terezinha, do Natal e da Coroação de Nossa Senhora e de tantos outros momentos perpetuados na minha vida pelas lembranças e pela saudade.

marineusa
Enviado por marineusa em 23/11/2006
Reeditado em 23/11/2006
Código do texto: T298976

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Sobre a autora
marineusa
Brejo Santo - Ceará - Brasil, 71 anos
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