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SÓ DEUS SABE, SE MEREÇO! - Capítulo XII

CARO(A) LEITOR(A), ESTE CONTO É ESCRITO EM CAPÍTULOS, PARA ENTENDER A HISTÓRIA, SUGIRO A LEITURA DOS ONZE CAPÍTULOS ANTERIORES. UM ABRAÇO. MARIA LÚCIA.


     Acordei num lugar muito esquisito, fios, aparelhos para todo lado, umas moças vestidas de branco. Sabia que elas sorriam, mas não entendia o que elas falavam.

     Chegavam pessoas perto de mim, sabia que eram pessoas mas não as identificava, ouvia sons, suas vozes, mas não entendia nada, por mais que me esforçasse.

     Até que um dia, não sei como deixaram uma criaturinha entrar, na U.T.I, onde eu estava.

     Que emoção! Era Eliane, minha meiguinha Eliane. Ela chegou e eu a reconheci. Como foi emocionante!

     - Mamãe, sara logo, estou sentindo muito a sua falta! - Eliane falou e começou a chorar.

     Entendi o que ela falou, aquela vozinha macia como uma pétala de rosa, o rostinho cheinho, meigo como ela só sabe ser.

     A partir desse dia comecei a reconhecer as pessoas: Carlos, Elizabeth, Armandinho, Fernanda, Gizelda, papai, Juliana, enfim, todos que iam me visitar, me lembrava deles, mas não conseguia falar.

     Demorou muito para que conseguisse falar. Comecei falando tudo errado, queria dizer uma palavra e saía outra.

     Lembro-me que me tiraram da U.T.I e me levaram para um quarto, muito bonito, sempre cheio de flores que me mandavam e Juliana e Elizabeth do meu lado sempre.

     Fiquei muito nervosa, quando me lembrava entrando debaixo da carreta e queria sair correndo, mas como? As duas pernas engessadas, um braço, a clavícula, a cabeça enfaixada. Os médicos fizeram três cirurgias na minha cabeça, sem falar outras pequenas.

     Não sei exatamente quanto tempo fiquei nesse hospital em Goiânia. Depois devido a depressão que tomou conta de mim, fui levada a uma clínica de repouso.

     Havia dias ótimos nessa clínica, mas não sei porque eles às vezes cismavam comigo e me amarravam, eles às vezes eram cruéis comigo, deixavam-me amarrada. Mas Carlos chegava e mandavam que eles me soltassem, aí era bom, ficava livre andando pelo jardim conversando com as plantas e as borboletas amarelas que fizeram amizade comigo e todos os dias elas iam me visitar, sempre no mesmo horário, assim pelas onze horas mais ou menos. Depois que voltei para casa, você acredita que elas vieram também?
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Enviado por Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles em 23/11/2006
Código do texto: T299172
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Sobre a autora
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 58 anos
152 textos (4029 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 11/12/16 04:37)