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A casa abandonada.

As noites passavam devagar para Pedro enquanto ele escrevia na varanda de seu apartamento. A visão semi-escura fazia sua curiosidade viajar por entre as esparças luzes imaginando o que estaria acontecendo na cidade lá em baixo: pessoas tomando banho para dormir; gente vendo tv; crianças pedindo para ficar um pouco a mais brincando na sala; ébrios dançando nos bares; namorados trocando carícias em frente ao portão na despedida; casais gemendo de prazer...
Geralmente ele estava sozinho a partir das dez horas da noite: seus vizinhos recoliam-se cedo, deixando a rua silenciosa e com o cheiro da brisa que começava a cair.
Ele ficava na companhia de livros e revistas e enquanto tomava cevada com chocolate ia escrevendo histórias e estórias, criando um mundo de fantasias que ora ele mesmo habitava.
Raramente o barulho de carros o distraim quando passavam na rua paralela e em instantes voltava ao seu world. Sempre repleto de mulhres lindas e lugares paradisíacos onde o amor era a lei natural e os seres habitavam em perfeita harmonia.
Numa dessas noites enquanto estava mergulhado em seus textos foi interrompido por vozes que vinham da esquina. Eram uns adolescentes que caminhavam rindo e entraram numa casa em frente, do outro lado da rua.
Ele dirigiu sua atenção para o grupo composto de quatro garotos e uma garota porque não morava ninguém na casa.
Inicialmente pensou que eles fossem cheirar cola ou fumar maconha, ou algo assim, o que era comum no bairro.
Após os adolescentes terem entrado, continuou a escrever, mas com a curiosidade por saber do que se passava dentro daquela casa.
Demorou um pouco e a porta abriu-se aparecendo um rapaz olhando a rua. Após certificar-se que estava sem pessoas, a não ser por alguém numa varanda em frente, ele fez sinal para que os outros saiessem.
Rapidamente sairam cinco garotos e quatro garotas, mergulhando na escuridão em baixo de uma grande árvore na rua. Embora tenham visto o escritor solitário não se importaram com sua presença.
Ali, protegidos pelo anonimato da sombra, conversavam baixinho...  Mas o silêncio da noite permitiu o único habitante da rua que ainda admirava a cidade ouvir um pouco do que diziam. Um deles falou para uma garota que se ela não \"corresse\" a noite ia ser \"quente\"...
Eles ficaram pouco tempo conversando, mas foi suficiente para nosso \"curioso de plantão\" querer ver quem eram aquelas pessoas porque sua primeira impressão fora errada e agora entendera que se tratava de um grupo de adolescntes que estavam transando enquanto a rua adormecia.
Quando deixaram o escuro e a luz ilunou-os, viu que eles tinham entre treze e dezassete anos.
Embora muito jovens já haviam descoberto as delícias do sexo e, provavelmente, enquanto seus pais estariam dormindo naquela hora,
gemiam de supremo prazer dentro de uma grande casa escura e sem moradores fixos, o que favorecia-lhes a oportunidade de tornarem-se habitantes temporários por muitas noites.

canindé, 18 de Julho de 2005.
Copyright by Apollu Stefanno
Enviado por Copyright by Apollu Stefanno em 18/07/2005
Código do texto: T35450

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Sobre o autor
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João Pessoa - Paraíba - Brasil, 40 anos
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