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Dia-a-dia

   Acordou às sete da manhã.
   Tinha o distante plano de fazer uma caminhada pela vizinhança antes de ir trabalhar. Ledo engano... a cama tinha um magnetismo muito maior do que o par de tênis sujo ao lado da porta do quarto, colocado ali de propósito na noite anterior, como se fosse vitrine da fantasia de entrar em forma.
   Um resmungo não foi suficiente para fazer o despertador silenciar-se: deu-lhe um bom soco no botao de desligar.
   Café-da-manhã insosso, sem pão francês, sem manteiga. No lugar, cream cracker e margarina. Comida de dieta, o dia já não começava bem.
   Banho morno, roupa social, salto alto, para tentar ser importante. O que adianta? O salário era péssimo, e para manter a aparência, contraiu dívidas formidáveis e angustiantes. Sabia que não poderia pagar, mas assim mesmo resolveu permitir-se a loucura. "Sou nova ainda, tudo se resolve", era a justificativa maior, a insanidade social.
   Sai de casa em cima da hora como sempre. Corre para a estação de trem. Sim. A estação de trem. Ruim, mas pelo menos é mais rápido do que o ônibus desgraçado enfrentando a infeliz avenida que corta a cidade de ponta a ponta.
   Quando passa pela roleta da estação, vê o trem partindo, sem piedade, sem perdão. Já era. Agora só daqui a 15 minutos. Vai chegar atrasada de novo.
   E, dentro de si, acalenta o sonho de morar mais perto, e ter um carro para sair nos finais de semana.
   Ainda é jovem, tem um longo caminho a percorrer. De trem. Quem sabe a pé...pelo menos entraria em forma...
   
Cris Vilanova
Enviado por Cris Vilanova em 14/08/2005
Código do texto: T42492
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Sobre a autora
Cris Vilanova
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 35 anos
57 textos (4226 leituras)
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Cris Vilanova