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Em Família

         Estavam voltando da casa dos parentes. Ele no volante do conversível e ela olhando sem prestar atenção tudo que passava pelos seus olhos verdes, até que voltou a atenção para dentro do carro para conversar com seu marido.

_ Estava muito bom hoje na casa de mamãe.
_ É. – concordando e arqueando as sobrancelhas.
_ Você viu como o Rafinha ta crescendo rápido.
_ Ahan.
_ E a tia Glória que vive de regime, mas não emagrece, coitadinha dela.
_ Humm.
_ O que você tem hein? Abra a boca pra falar, já to cheia disso.
_ Não é nada – segundos depois – e também estou dirigindo, preciso de máxima atenção.
_ Nós sempre conversamos no trânsito, não me venha com essa.
_ Não tem nada, já disse.

Luiza, a esposa, percebeu que havia algo de errado com Márcio, mas não sabia o quê. Começou a puxar pela memória o almoço que tiveram naquele domingo de verão. A família dela estava em massa, pois estavam recebendo o primo dela que voltara do exterior, da família dele só foi chamado seu irmão Artur que nem ficou muito tempo. Durante o almoço tudo corria bem, em alguns momentos ela o deixou sozinho e nessas vezes ela viu sua prima Laura conversando com ele, mas foi muito rápido e também jamais desconfiaria dela – era como se fosse uma irmã, mas isso quando era criança porque hoje ela já tem seus vinte e dois anos. Luiza retomou a conversa.

_ O que Laura conversou com você?
_ Ah a Laura! Ela disse que conseguiu um estágio numa grande empresa, riu quando falou do ex-namorado que não pára de correr atrás dela e algumas coisinhas sem importância.
Luiza não queria acreditar naquilo, mas quando se referiu à Laura viu um pequeno brilho em seus olhos, mas pode ter sido reflexo da luz ou coisa parecida. Mas Luiza também percebeu que ele falou normalmente, sem empolgação aparente.
_ Que interessante. A Laura será uma excelente nutricionista, ela até tenta ajudar a tia Glória, mas o caso dela é mais difícil.
_ É verdade – anuiu Márcio.

Luíza voltou a pensar, relembrar e de repente veio-lhe em sua memória algo que ela preferia não lembrar. Enquanto fazia mimos nos gêmeos de sua irmã Andréa, ela pôde ver Laura conversando com Márcio pela segunda vez. Foi outra conversa rápida. Ela voltou sua atenção aos gêmeos, mas logo girou sua cabeça a procura de seu marido que não estava mais lá.

_ Você viu os gêmeos da Andréa, não são lindos?
_ São mesmos, como é que eles se chamam mesmo: Aruan e Luara?
_ Isso mesmo, nomes bem exóticos.
_ Põe exótico nisso.

Fez-se uma pausa de alguns minutos e depois Luiza reiniciou o diálogo.

_ O que Laura queria com você naquela hora?
_ Já te contei. Agora te deu de perder a memória. – disse ele bem ríspido.
_ Estou falando da segunda vez.

Márcio tremeu levemente e sutilmente. Chegou a suar frio e em seus pensamentos surgiu a pergunta: Será que ela descobriu?

_ Fui ao banheiro. Afinal bebi umas cervejas. Depois de muito insistir, acabei aceitando as cervejas do seu tio Valter – disse Márcio aliviado e feliz da sua desculpa improvisada.
_ Ah ta. O tio não se conforma que você não bebe cerveja.

Márcio agora mais aliviado tentará não pensar mais no que aconteceu naquela tarde de domingo. Tentará não mais pensar em Laura, a prima de Luíza, dona de um belo corpo, cabelos loiros e longos, e uma pele alva e macia. Em seu rosto está estampado uma falsa ingenuidade de uma garota que não tem nada de ingênua. Ele não precisou mentir da primeira vez, mas na segunda ele não teve escapatória e não pôde dizer que fora até o lago com Laura a pedido dela.

_ Eu só quero um beijo.
_ Não podemos.
_ É um só. Como nos velhos tempos.
_ Não há mais velhos tempos.
_ Você tem razão, depois que você casou com a sonsa da minha prima.
_ Não fale assim dela.
Laura ergueu um pouco sua calça e deixou aparecer a renda de sua calcinha.
_ Você é louca mesma.
_ É só um beijinho, mas se você quiser algo mais.
_ Não faça isso comigo.
Laura fez biquinho como querendo pedir que nem criança.
E Márcio já não agüentando deu o beijo. Laura sem perder tempo agarrou-o e fez o beijo demorar mais, o suficiente para que Ricardo, primo de Luiza, visse a cena.
Márcio se afastou dela dizendo.
_ Ta bom, senão irão ver a gente.
_ OK. Deu pra tirar uma casquinha.
_ È uma vadia mesmo.
Márcio foi saindo dali quando ouviu Laura chamando-o novamente.
_ Uma vadia toda sua.
Ele ouviu perplexo e foi embora.
Depois de relembrar os fatos – que ele prefere esquecer pra não trazer problemas. Pra sorte dele o tráfego estava tranqüilo e Luiza também estava viajando em pensamentos. Mas ele parou e pensou: Em que ela tanto pensa? E Luíza em seus pensamentos mais secretos disse pra si mesma, em pensamento é claro.
_ Ainda bem que o Artur foi embora logo.

27/07/05
Miguel Rodrigues
Enviado por Miguel Rodrigues em 10/09/2005
Código do texto: T49252
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Miguel Rodrigues
Barueri - São Paulo - Brasil, 33 anos
1434 textos (42685 leituras)
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Miguel Rodrigues