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Descanso de Lagarta Fêmea

Deito-me no chão frio da varanda, e descanso o corpo como uma fêmea de lagarto.
Vejo, um lugar lindo! Um vale! Cercado de montanhas, que terminam nas areias da praia.
Eu e o silêncio...
Quebrado vezes, pelos sussurros daquelas ondas que arrebentam dentro de nós.
As montanhas ao meu redor, formam uma linha contrastante com o azul do céu. Um limite, onde nuvens branquinhas brincam ao sabor do vento, criando formas, e fazendo desenhos inesperados no infinito. Surpresas...
Desprezo o corpo e integro-me à natureza.
Por metamorfose imaginária, sinto-me bicho, planta, terra, água, céu...
Sou criação!
Reflito sobre muitas coisas...
Reflito sobre a existência dos homens.
A natureza humana, não aceita as coisas simples.
Não aceita a mera tranquilidade e assim agrega à vida, todos os dias, vários "arquivos temporários" , configurados com pequenas coisas ruins, que se excluídos, retornariam ao espaço interior, como um acréscimo razoável de felicidade.
Pensei no cotidiano...
Naquele que levanta-se, compra o pão, senta-se à mesa , mas ao invés de agradecer o alimento, pensa que se o pão estivesse menos moreninho, seria melhor.
A primeira insatisfação diária, início de outras que acumuladas ao longo dos dias, afetam diretamente no desempenho da vida.
Viver...
Viver é uma arte!
A arte de encontrar equilibrio, nas coisas aparentemente despresíveis e sem importância. São de pequenos detalhes, que formam-se as grandes realizações, embora que realizado plenamente mesmo, seja o homem que morreu, quando com ele, morreram também todos os seus sonhos...
Penso em tantas coisas...
Na minha existência e na minha extinção...
Penso na morte, e me assusto ao perceber que não a temo.
Penso na liberdade, quando sei que meus pensamentos e sentimentos, têm asas ilimitadas, mas meus pés, fixaram-se como raízes, em terras que talvez eu não tenha desejado.
Penso no amor que como sangue, circula pelas veias fazendo o coração bater mais forte, porém muitas vezes silencioso...
Penso em mim como um ser que qual estrela, um dia poderá brilhar no Céu de Deus, e, é esta sensação que guardo no peito, que me faz olhar a vida todos os dias como a Dádiva, onde cada gesto de bondade e de carinho, coloca-se no íntimo com simplicidade e discrição, deixando na alma, o gosto prazeiroso do dever cumprido...
Quem sabe, amar não seja apenas isso:

Expressar com gestos e atitudes a vontade de Deus... Simplesmente.
 

Day Moraes
Enviado por Day Moraes em 10/10/2005
Código do texto: T58338
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Sobre a autora
Day Moraes
Angra dos Reis - Rio de Janeiro - Brasil
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Day Moraes