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Conto de Natal

           Alguns instantes de intensa felicidade estavam vivendo. Já não havia, mas rua nem pessoas, tudo havia desaparecido completamente. Ouvia-se apenas o bater acelerado de dois corações mergulhados na emoção, o descompasso da respiração. O chão naquele momento se fez nuvem, via-se o brilho de um olhar apaixonado; Não se podia ouvir o barulho dos carros, apenas a sinfonia de alguns pássaros que como mágica pareciam cantar a canção daqueles amantes.

            Aquela simples avenida havia se transformado no cenário de uma história que poderia ser contada por todos os que lá se faziam presente. Ninguém ao certo pôde compreender. Talvez a cena outrora presenciada não fizesse sentido nenhum, talvez alguns poucos tivessem se emocionado, enquanto outros sorriram sorrateiramente. Mas aos que foram contaminados pelo sentimento, certamente, foram testemunhas de um instante de paixão.

           Era tarde de 24 de Dezembro naquela movimentada avenida. Os veículos passavam apressados, enquanto pessoas aguardavam suas conduções para regressarem aos sues lares. Afinal, era véspera de natal.

           Não tão longe dali, uma certa senhorita olhava incessantemente para o relógio, contando os minutos para seu regresso ao lar. Seu coração batia acelerado, pois poucas horas lhe separava daquela que seria uma noite especial. Há anos não passava o natal com a família toda reunida. Estava feliz, não completamente, pois lhe faltava a presença do pai que não mais se fazia presente entre seus entes. Contudo, as lembranças e o grande amor pelo pai lhe consolavam o coração.

          Também, outro motivo lhe permitia aquela felicidade sentida de tal forma que se tornava transparente na face. Jehry estava inebriada pela paixão que há tempos sentia pelo jovem Carlos. Era um amor quase platônico, pois apenas a doce senhorita demonstrava o que sentia. Mas naquela manhã algo havia lhe surpreendido. Carlos lhe abraçara tão intensamente como se desejasse parar o tempo e ali permanecer. Talvez este fosse seu melhor presente de natal, mas Jehry não imaginava a surpresa que teria naquele dia.
 
         Eram 15hs quando se despediu de todos e seguia rumo à Avenida Nazaré onde tomaria sua condução. Sem olhar para trás, com passos ligeiros, chega finalmente na parada do ônibus. Ali, permaneceu esperando. Subitamente Carlos surge ao seu lado e novamente a abraça. Sem mais palavras, despedem-se e segue para a próxima parada onde aguardaria sua condução.

          A jovem preparava-se para subir no ônibus quando derrepente a jovem alguém chamar por seu nome. Curiosa, olha e percebe que Carlos voltava ao seu encontro, sem nada entender foi surpreendido por um ardente abraço que trazia consigo toda a força de um sentimento reprimido. Carlos fitou Jehry e envoltos na emoção, perderam-se no mais profundo beijo, que naquele instante uniu os amantes numa só alma, como se fossem um só; Como se não houvesse homem ou mulher.

          O tempo parou naquele momento, Jehry estava envolvida, contaminada pela paixão. Sua face pálida havia se transformado na mais vermelha de todas as rosas, seu coração era tal um vulcão em plena erupção; As mãos trêmulas, olhos mergulhados em lágrimas de felicidade. Por um segundo calou-se não havia palavras, seus olhos falavam por si, apenas sentia a força daquela paixão.

          O mundo contemplou aquele momento, somente aqueles que lá estiveram e que foram testemunhas, por um instante presenciaram o amor.

          E perdidos naquele beijo, Jehry e Carlos viveram intensamente e, em seus corações, em suas almas levaram eternamente o que de certo foi o melhor natal de suas vidas.

Anne Monteiro/ Belém,24/12/2005
Anne Monteiro
Enviado por Anne Monteiro em 27/08/2007
Reeditado em 02/09/2008
Código do texto: T626072

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Sobre a autora
Anne Monteiro
Igarapé-Miri - Pará - Brasil, 42 anos
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Anne Monteiro